"NÃO QUERO MAIS A CEGUEIRA E SIM A LUZ"

25/11/2011 06:58

Sentada em seu banco de prata, rodeado por seu belo jardim, não pôde enxergar o que realmente acontecia ao seu redor. Somente após um longo período de dor e sofrimento, o espirito que compartilha conosco suas experiências abre-se amorosamente para si mesmo e, diante da misericórdia divina, encontra seu caminho. 

Não quero mais a cegueira e sim a luz, mensagem que nos convida a refletir sobre as verdades que guiam nossas vidas, por acreditarmos ser o caminho certo a seguir. 

Ensina-nos a reconhecer nossas faltas e corajosamente seguir um novo rumo. A não viver na culpa e sim assumir as responsabilidades de nossos atos. A aprender com nossos erros e fazer diferente.

Que aprendamos no dia de hoje.

 

Boa reflexão!

Andréa

 

"NÃO QUERO MAIS A CEGUEIRA E SIM A LUZ"

DEPOIMENTO DE UM ESPÍRITO

 

 

 

Que a paz de Nosso senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês.

 

Esperei muitos anos por estar junto a vocês neste momento. Fico feliz que este dia tenha chegado.

 

A misericórdia divina é sábia e dirige-nos acertadamente pelos caminhos que devemos seguir.

 

Por longos anos, estive aprisionada em meus pensamentos, em um mundo enlameado, coberto de trevas e sofrimentos. O mundo que eu achava merecer.

 

Coberta pela luz de Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje, posso abrir meu coração e compartilhar minhas experiências.

 

Bendito somos nós quando amigos (espirituais) iluminados ouvem nosso chamado e vêm ao nosso auxílio. Foi assim que ocorreu comigo.

 

Sentada, diante da escuridão, a espera dos meus, que acreditava virem me buscar, fiquei por longos anos. Esperava por um socorro que não tinha porque vir, pois eles, meus familiares (irmãos, filhos, marido), encontravam-se na carne.

 

Porém, desconhecendo a vida após a morte, debruçava-me sobre meus pensamentos, no pesar do abandono e da ingratidão.

 

Chorava por medo, por raiva, por solidão. Desacreditava no amor divino, que acreditava ter me abandonado.

 

Sofri as consequências dos meus próprios atos enquanto vivia na terra. Egoísta e materialista pensava somente nos meus. Acreditava que a família vivia debaixo de minhas asas e a ela precisava ser preservada perante qualquer outro, ou seja, o outro somente servia-me quando podia satisfazer-me e a minha família. Até os amigos eram descartáveis e sem importância, porque o que realmente importava eram os meus.

 

 Vivia para eles e a vida corria ao redor de nós. O mundo só girava para nos fazer feliz. Ajudei primeiro, a meu pai e, depois, a meu marido a construir uma fortuna.

 

Vivia voltada para a riqueza, o bem estar e o prazer. Quando me vi ali, sentada, num banco de prata rodeado de flores provindas do meu gracioso e bem cuidado jardim que estava isolado, diante de uma multidão suja e fedorenta que teimava invadi-lo. Gritavam-me palavras de baixo calão. Revoltada, indignada, fechava meus olhos após gritar de fúria e pedia ao Vosso Deus justiça. Se é que Ele existia.

 

Envergonho-me destas palavras que saíam de minha boca e do meu coração. Um grito sufocado de ódio que questionava o poderoso Deus, somente de vocês, das dores que sofria.

 

Onde verdadeiramente estava? Confusa, não compreendia minha sorte. Meu lindo espaço estava descuidado. Colocada no meio de um espaço sujo e fedorento, com tantos diferentes de mim ao meu redor. Passei toda minha vida, protegendo-me de algo tão feio e deplorável quanto aquele momento.

 

O choro de raiva e de dor e o grito de ódio foram tornando-se desespero e súplica. Já não suportava mais tal situação de crueldade. Um dia, chegaram mais perto. Quase a me tocar. Então apavorada escondi-me debaixo do banco e supliquei ajuda. Lembrei-me de vozes e rostos de subordinados. Pedi perdão.

 

Um feixe de luz surgiu por cima de meus ombros, aquecendo-me o coração. Diante de mim, surgiu um homem com trajes simples e extremamente iluminado que me estendeu a mão, fazendo-me o convite de segui-lo.

 

Levantei-me e fui ao seu encontro, respondendo ao seu lindo e mágico sorriso, acompanhei-o. Levou-me para um lugar indescritível e senti-me como nunca havia me sentido antes. A paz daquele lugar invadiu o meu ser e renovou-me. Porém, os demais dias que se seguiram não foram fáceis.

 

Como é difícil compreender e aceitar a verdade. Mudar ideias e sentimentos. Por muito tempo desacreditei que havia mais na vida do que tudo que possuía através do meu esforço e dinheiro. Desconhecia o amor de Deus e sua Lei que nos leva ao infinito, a vida verdadeira após a morte. Diante de tantos novos e diferentes conhecimentos deprimi.

 

Passei alguns anos trancada dentro de mim. Primeiro, na cama desacordada, depois, tal qual um sonâmbulo, vivendo como desacordada.

 

Tempos difíceis, porém necessários. Pouco a pouco fui recobrando a consciência da verdadeira família e dos meus. A grande família que havia deixado há tempos remotos na vida estrelar. Ciente das dores da saudade, encontrei-me com eles. Alguns que, no primeiro momento, não conheci. Entreguei-me ao seu amor.  Depois de lindos momentos adoeci. Lembrei-me da família que deixei, da culpa de não ter cumprido a missão de ter-lhes ensinado o que é certo e do medo que sofram da mesma forma que eu sofri.

 

Porém, desta vez, rodeada de amor e luz, não demorei a levantar-me. Somente alguns poucos anos se passaram quando resolvi entregar-me ao amor.

 

Voltei-me para os pequeninos e ofereci-lhes meus cuidados. Desta vez, lúcida e forte consegui enfrentar o passado e deslanchei rumo à felicidade.

 

Meu choro, agora, era de emoção, de alegria pela nova vida que conquistava e pela saudade saudável que envia luz que parte do coração.

 

Sempre disse aos meus filhos que o trabalho dignificava o homem. Aqui aprendi que o trabalho feito com amor e, principalmente, para o próximo é que verdadeiramente dignifica o homem, aproximando-nos da honra de poder receber o amor de Deus.

 

Ficai em paz.

 

Que a luz de nosso Senhor Jesus Cristo os ilumine.

 

Agradeço a escuta e a oportunidade de me fazer ouvir e falar sobre as vitorias que alegram meu coração e mantém-me no caminho certo.

 

Hoje não mais me envergonho de falar sobre quem fui e dos erros que cometi, pois confio e agradeço a misericórdia divina. E reconheço que estas lembranças me impedem de cometer novos erros.

 

Não quero mais a cegueira e sim a luz.

 

Que Deus vos abençoe.

 

Madame Ju.

15.11.11

Facebook Twitter More...