CARPE DIEM

30/03/2012 05:48

 

“Colha o dia”, frase usada por Horácio, em Odes (I,11.8), com a finalidade de convencer Leuconoe a aproveitar o momento presente e não se preocupar com o fim que os deuses os dariam.

Muitos utilizam a mesma frase para justificar a busca incessante pelo prazer em detrimento das responsabilidades que a vida nos exige. Aproveitem as delicias da vida, pois ela é curta. Assim justificam-se.

Não nos esqueçamos de que a existência nos foi dada por Deus, para que busquemos a perfeição. Viver o momento presente é construir a encarnação vigente sobre bases sólidas, fundamentadas nos ensinamentos do Cristo.

Trago Carpe Diem como título do texto de hoje, para, com Gregório,  aprendermos a acolher as tarefas que nos foram propostas e que, com dedicação, possamos realizá-la com esmero, sem pressa ou desleixo, preparando-nos para os próximos passos.

 Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e de repente você estará fazendo o impossível."  (São Francisco de Assis)

Olhemos com carinho e respeito cada momento da vida. Cada situação plenamente vivenciada e refletida nos traz a consciência do caminho que estamos traçando, nesta escola chamada Terra. Deste modo, estaremos preparados para as escolhas que teremos que fazer no decorrer do percurso.

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida." (Sêneca)  

Não percamos tempo com as miudezas que insistem em nos afligir. Tenhamos esperança que o futuro que desponta no horizonte será melhor que o hoje, porque estamos a construí-lo melhor.

Lembremo-nos da Páscoa que se aproxima, anunciando que a vida nova é uma verdade a qual todos podemos alcançar.

Boa reflexão!

Andréa

 

CARPE DIEM

 

Caminhamos até o fim da tarde, quando nossos companheiros, finalmente, chegaram. Confesso que não aguentava de ansiedade. Estava louco para saber qual seria nosso próximo passo.

Tal não foi minha decepção quando ouvi de Samuel que ali permaneceria, com Jonatas, em oração, até que os outros fossem e retornassem da primeira reunião de acolhimento desenvolvida por Rute.

Não podia acreditar! Estava fora da primeira missão que o grupo desenvolveria na terra.

Samuel aproximou-se de mim e, como um pai, afagou minha fronte. Ficou assim, por alguns minutos, e pude sentir a energia que provinha de suas mãos, como havia acontecido na viagem. Depois de alguns instantes, pediu para que eu sentasse e começou:

- Gregório é preciso que fique a se energizar por hoje. Faz-se necessário refazer-se e encontrar o equilíbrio para que não sucumba às energias, por muitas vezes, densas que encontraremos na reunião de desencarnados e encarnados que participaremos. Não se preocupe, logo estará mais forte e apto a reagir a tais energias, contribuindo, ao invés de adoecer. Lembre-se do velho amigo (Fábio) que compartilhou com você de suas angustias.

-Você e Jonatas deverão ficar em oração. Preparando-se e transmitindo, também, para nós, fluidos edificantes que facilitarão nossa primeira atividade na terra. Lembre-se que essa visita tem objetivo de reconhecimento e planejamento e, a partir do que vivenciaremos por aqui, nestes momentos, nos guiarão de volta para o verdadeiro desenvolvimento de nosso trabalho.

-Portanto, tenha paciência e aguarde, dedicando-se as tarefas que lhe foram propostas. Deixaremos agora. Porém, antes, oremos, rogando ao Senhor permissão e auxilio a nossa empreitada.

Senhor Deus,

Agradecemos a oportunidade de serví-lo e aos pequeninos que trata com todo amor e carinho. Permita-nos, oh Pai, que possamos utilizar de todo amor que plantou em nós para que os alcancemos, e assim, possamos, próximos a ti, engendrarmos em seus mundos e conquistarmos sua confiança. Pois, nos colocaremos a disposição deles a fim de socorrê-los, se, assim, eles quiserem.  Enchei-nos de fé e esperança para que não nos aflijamos com os primeiros obstáculos que encontrarmos e para que acreditemos que, unidos a ti, conseguiremos fazer maravilhas em seu nome. Humildemente, rogamos a ti pela sua presença bondosa e inspiradora em nossos corações, muitas vezes, trancados para ti. Mantenha-se conosco o Pai, trazendo-nos a consciência, quando nos perdermos, para que reconquistemos o equilíbrio e nos reajustemos às forças do bem se fraquejarmos e cairmos. Erga-nos o Pai, e nos permita retornar ao teu seio, colocando-nos, de novo, ao teu serviço. Sabemos que não desiste de nós e se te pedimos o óbvio é para que reforcemos em nós a possibilidade do erro e da queda e o refazimento, se for de nossa escolha após os sinceros arrependimentos e disposição a novo trabalho íntimo a recomeçar. Terminamos, agradecendo por sua infinita misericórdia.

Assim seja.

Quando terminou, estávamos em êxtase. Pétalas de rosas havia nos coberto de luz e perfume. Sentia-me mais forte e compenetrado. Sabia que, a partir de agora, estava traçando um novo caminho para minha existência. Sentia que seria um percurso sem retorno, pois, agora, não havia como voltar ao obscuro. Iniciava meu processo pela luz e, de lá, só poderia seguir adiante. Disse meu cuidador certa vez:

- Caro amigo, não se preocupe tanto com as quedas. Foque nas subidas, pois cada vez que cai é porque tentou elevar-se e, desequilibrando, se fez cair. Se acreditar que pode subir, o degrau não será tão grande e, junto com seu esforço e determinação em crescer, as quedas lhes serão cada vez menores. Porém, sempre ocorrerão, motivando-o a ir mais longe. Acredite na força que há dentro de você. O Deus está presente em nós,  nos convida a subir ao encontro dele, incentivando-nos a persistir. Cabe a nós dar ouvidos a ele e não aos que, com preguiça e desleixo, preferem derrubá-lo para que permaneça com eles e, assim, não fiquem sós, e nem se sintam pequenos como, verdadeiramente, ainda se mantém.

Diante de tanta luz, não foi possível ver o escuro e segui em frente.

Os amigos partiram logo depois da oração. Acompanhei-os até desaparecerem no horizonte. Então, sentei em frente a Jonatas e nos concentramos em nossa tarefa. Um após o outro, íamos discorrendo palavras que nos vinham à mente, partindo de nossos corações, numa grande oração coletiva. E ficamos assim até ser surpreendido com a chegada de nossos companheiros.

Não vi o tempo passar. Não pensei que pudesse ficar no mesmo lugar a rezar por tanto tempo, sem nem mesmo perceber que o tempo passou. Deixei-me, simplesmente, ficar e dediquei-me a minha missão do momento, sem pressa, sem elucubrações, sem ansiedades quanto ao futuro. Novamente, aprendia uma lição que usaria para sempre.

Cada vez mais, percebia que o que observava com os olhos do espírito podia carregar comigo pela eternidade. Diferente de quando estava encarnado. Observava, despertava e voltava a “dormir”, voltando aos erros e sofrimentos. E eis que a tudo retornava até que, quando sem forças, pudesse absorvê-los para usa-los um tempo depois.

Deixo-os com um pensamento.

“As verdades escondidas em nós, quando descobertas intimamente e absorvidas, farão diferença no decorrer de nossa existência.”

 Boa reflexão e até a volta.

Gregório

27.03.12

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