CAVERNA DE DEGRADADOS

08/01/2011 10:52

Nesta terça feira, o momento de luz traz um relato mediúnico que evidencia onde a nossa mente não sadia pode nos levar. Fica claro o ambiente que podemos criar e a forma que podemos tomar como autopunição dos nossos próprios atos passados e presentes.

Neste momento, mais do que a participação de equipes de encarnados e desencarnados, a ajuda pode vir de uma consciência mais limpa, construtiva e livre, isenta de culpas.

Esperamos que todos gostem, e reflitam, destes novos relatos mediúnicos que vêm aparecendo no nosso blog.

 

CAVERNA DE DEGRADADOS

 

Era uma noite qualquer de sono reparador para o encarnado em vigília. O espírito desdobrado viajava por paragens desconhecidas.

Andava por pequeno vale de floresta tropical, margeando caudaloso rio de águas calmas e contornos verdejantes.

No entroncamento com pequeno regato, modesto afluente do caudaloso rio, deparo-me com chocante cena: gigantescas anacondas miravam-me extasiadas, como saboreando por antecipação exótico petisco.

Começavam a cercar-me rastejando, cientes de sua superioridade física. Levantavam suas cabeças tentando o golpe fatal. Eu desviava a trajetória do bote, me escondia atrás de pequenos montículos de terra, construídos por laboriosos cupins, alheios a meu drama.

O embate era desproporcional. Me escondia por breves momentos, recuperando o fôlego. Contudo, as criaturas descobriam meu esconderijo, era uma briga de gato e rato, onde se descortinava o provável vencedor, por sua desproporcionalidade.

Não posso saber de onde vinha tanta força por sobreviver, pois não me rendia, com a luta de fuga e perseguição varando as horas sem que pudesse haver um vencedor. Era visível a raiva das criaturas, pois a tarefa, que parecia tratar-se de fácil refeição, tornara-se uma luta feroz entre força e inteligência.

Quando conseguia subir em pequena montanha, a vantagem parecia minha, pois conseguia bater na boca das criaturas, que recuavam pela dor, mas sempre achavam uma trilha que levava ao topo, recuperando a vantagem que antes me favorecia.

Pouco a pouco, sentia que as forças das rastejantes iam se debilitando, como se o esforço tivesse esvaído suas energias. Parecia-me que algum vírus invisível tivesse agido em seus debilitados corpos, por muitas horas de luta inglória, caindo desfalecidas.

 

Ganha a batalha, o cansaço toma conta do corpo e a fome marca presença, chamando por providencias de repasto. Vi as criaturas mortas e a necessidade levou-me a cortar pequenos pedaços das criaturas. Acendi pequena fogueira que, além de me aquecer, serviu para assar a carne das vitimas do infortúnio.

Não passariam de um pesadelo estes fatos se, no dia seguinte, na reunião mediúnica, não voltassem, agora em vigília, as mesmas lembranças, que eu já havia esquecido.

Comecei viajando mentalmente por esse local e, pouco a pouco, fui me conduzindo por mão invisível, que me induzia a seguir pela margem do regato. A poucos metros da entrada, uma grande caverna se apresentava e algo me encorajava a entrar nesta fenda escura.

A caverna era revestida por pegajosa matéria de odor repugnante, que íamos dissolvendo com a luz sublimada dos seres que me acompanhavam. Limpamos todo o ambiente, mas não conseguimos ver as criaturas que ali viviam, pois se recolhiam para o fundo da caverna, temerosas e revoltadas por se sentirem invadidas, em seus domínios.

 

 

Na parte mais profunda da caverna, havia proteções e disfarçados reforços, que não ousamos violar, em respeito ao livre arbítrio e ao medo que se instalara neste aglomerado de criaturas degradadas.

Deixamos, instalados no local, luzes e energias que clareavam o ambiente, talvez para deixar que se acostumassem com este novo paradigma e, talvez em outra oportunidade, pudéssemos manter contato e ajudá-los a levantar- se da dor e da violência.

Não tive oportunidade de voltar a esse local insalubre, penso que os seres de luz se encarregaram do resto do serviço, pois, talvez, não necessitaram mais da energia física, útil no primeiro contato.

 

ACA 2008

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