ESCOLHER É RESPONSABILIZAR-SE.

09/03/2012 09:53

 

Gregório, compartilhando conosco mais um momento de sua vida, inspira-nos a reavaliar nossas escolhas.

Em qual lugar escolhemos estar? A quem ou ao que estamos seguindo?

Estamos preparados para assumir as responsabilidades de nossas escolhas? Ou precisamos que um “líder” o faça?

Escolher é responsabilizar-se, nos diz Gregório.

Talvez não seja a dúvida que nos impeça o ato da escolha, mas o medo de errar e assumir as consequências que ele trará.

Temos o medo do surgimento, em nós, da culpa. Sentimento corrosivo que nos destrói pouco a pouco. Façamos o que nos ensinou o Cristo e o que nos aconselha os psicólogos, sejamos responsáveis e não culpados.

A responsabilidade, e não a culpa, nos convida a pensar antes de fazer, a assumir o erro caso ele aconteça e, por fim, a escolher aprender com nossos enganos. Nessa nova postura, estamos fazendo uso do nosso livre arbítrio: escolhendo e consequentemente, responsabilizando-nos.

Deixo-os com Gregório.

Boa reflexão,

Andréa.

 

ESCOLHER É RESPONSABILIZAR-SE.

 

Está historia aconteceu há muito tempo atrás.

Lembro que, naquela época, tudo se fazia ao comando de Deus, claro que embasado pelo desejo dos homens. A vontade era uma força motriz que podia dizimar quarteirões inteiros. Homens conheciam o poder, alguns poucos homens na verdade. Eram capazes de comandar uma cidade inteira, um país, sozinhos. Apoiados pela vontade de Deus, embarcavam na ideia que tudo podiam em nome de Deus.

Meus pais me ensinaram a respeitar a Deus e o mais forte entre os homens, a concordar sempre com as escrituras e os documentos de grande valor. Em contrapartida, forneceram-me valores grandiosos que todo homem de bem, temente a Deus, deve portar. Transformavam-me num grande politico, ao mesmo tempo, que eu me transformava em um homem.

Assim ocorreu. Temente a Deus, em respeito às leis, misturei política com religião e me tornei tão grande e poderoso quanto os homens que vi quando criança. Porém, nesta minha época, não mais um único homem coordenava, sozinho, o poder. Um maior, acompanhado de outros médios e pequenos detinham todo o poder daquele lugar e dividiam, com outros grandes, o poder de outros lugares. Mas havia lugares em que nem mesmo podiam chegar sem autorização prévia de seu grande poderoso. Perceberam a fragilidade do poder? Ele não é onipresente.

Eu era um médio, que seguia o grande e comandava inúmeros pequenos. Um dia, simplesmente, enjoei. Não queria o maior lugar porque ele me cansava os olhos e o coração. Imagine tudo ver e controlar. Também não queria o pequeno. Era acompanhado por muitos deles: dependentes, puxa sacos, indolentes.

Não. Não era está vida que deseja para mim. Queria mais. Mais poder? Para que? Mandar não dá tanto prazer como pensa. Não para mim. É impedido de pensar livremente, de agir segundo sua vontade sem se preocupar com a aprovação dos outros. Não falo sobre as ordens às quais todos deviam obedecer. Falo da possibilidade de andar descalço pelos jardins por mim ornamentados, simplesmente, sentir a macieis da grama e o perfume das flores.

Certa vez, desejei e resolvi que o faria. Em pleno domingo, após a missa, tirei os sapatos e, pés na grama, comecei a caminhar despreocupado. Os que passavam, circularam-me. Fitavam-me e comentavam com os outros que iam se aglomerando. Uns riram, outros criticaram, para todos eu havia enlouquecido.

É disso que os falo. Sobre a capacidade de viver e poder escolher, verdadeiramente, sem os entrepostos colocados, diariamente, pelo cargo ou imagem importante que ocupa.

Desisti, resolvi entregar-me aos estudos, instrumento libertador ao qual sempre recorri. Aprofundei-me, deixei-me comandar por ele e passei a escrever tudo sobre o que me incomodava. Ás vezes, respeitando as tradições, ironizava a maioria de meus novos escritos afim de que os entendessem apenas os inteligentes. Falei em parábolas para os que podiam entender e o queriam. O conhecimento não desperta a todos. Alguns jamais poderão alcançá-lo. Não por não possuírem recursos que os dariam acesso, mas falo de recursos pessoais, tal como a sabedoria interior que determina e escolhe os melhores caminhos a seguir.

Quando realmente concentrei meus escritos na critica, não foram aceitos pelos grandes. Alguns médios os compreenderam, aprovaram e, até, os seguiram. Já os pequenos revoltaram-se, me chamaram de blasfemador, opuseram-se as minhas novas ideias. Estranharam? Pois os afirmo que o poder só existe porque há quem queira ser comandado. Se estes não existissem, jamais haveria poderosos.

Quando por aqui cheguei, encontrei uma atmosfera diferente. Os líderes, assim os chamarei, servem mais que são servidos. Trabalham horas a fio, organizando, acolhendo, orientando, estudando.

Acompanhados por todos pelo amor e pelo respeito. Todos iguais com o mesmo objetivo. Não é preciso o poder absoluto, apesar de que tudo, realmente tudo, veem, ouvem, sentem e sabem. O que fazem com tantas informações? Acolhem, respeitam, orientam. Jamais os vi utilizarem para manipular, ordenar e adquirir o que desejam. Primeiro, desejam o progresso individual para a conquista do coletivo. Depois, porque o único e maior objetivo é servir a Deus e não ser servido por ele.

Há se pudéssemos aprender e utilizar todo este conteúdo ai na Terra!

Questionei, certa vez, ao meu cuidador:

- Porque não enviam um desses lideres a terra?

Ele respondeu-me sorrindo: - Muitos já foram enviados. O maior deles já esteve convosco. O trabalho tem sido feito há anos. O pai não se cansa de enviar líderes, exemplos, mensageiros. Pouco a pouco os homens têm avançado. Não é fácil para eles vencer os obstáculos que o mundo material os impõe. Medos, desejos, impropérios de todas as ordens, porém, chegará o dia que serão completamente vitoriosos.

Deixei-o para meditar. Lembrei-me de Jesus e seus ensinamentos. Líder, exemplo, mensageiro, o crucificamos na cruz. Até a minha época, ainda não havíamos realmente o compreendido. Faltava-nos a vontade? Senti-me igual aos pequenos. Necessitado de alguém poderoso para me comandar. Seguiria um simples carpinteiro que servia em vez de ser servido? Que usava o amor como arma e deixava a nossa incumbência o poder de decidir? Escolher é responsabilizar-se. E se der algo errado? A quem culparei? A mim?

Não estávamos preparados. O grande escolhia, mandava e, se errava, condenava alguém que menos importasse, simplesmente, porque ele jamais errava. Tudo que queríamos ser e ter. Quem gostaria de ser um carpinteiro, pescador de homens a andar pela pobreza e receber em troca apenas gratidão, amor, seguidores do bem? - Deus que me livre! Posso ouvir se apurar os ouvidos.

Deus nós livre de manter-nos nessa ignorância!

Deixo-os para logo voltar.

Gregório.

06.03.12

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