O CHAMADO

30/12/2011 09:27

 

Ano novo nos faz refletir sobre as atitudes que tivemos durante todo um ano e o que nos motiva para o próximo. Em resumo, é o momento das reflexões para as transformações.

Assim, é momento de lembrarmo-nos da transformação maior no Cristianismo: na porta da cidade de Damasco, o carrasco tornou-se o pregador. Paulo de Tarso nos mostrou que a mudança pelo amor é possível e se faz necessária.

É por isso que o Momento de Luz de hoje, tem imenso prazer em dividir a história do irmão Josué, antigo perseguidor dos Cristãos que foi tocado, inicialmente através da doçura de uma mulher, pelo amor sublime, divino.

Que esta passagem de ano, represente o aparecimento desta mulher em nossas vidas. O aparecimento de fatos que nos atentem para a realidade de sermos amor, de vivermos no amor, nos tornando aptos, assim como ocorreu com o nosso querido Josué, a sermos semeadores da mensagem do Cristo, da mensagem da humanidade, da mensagem do amor.

Portanto, passemos à fase da borboleta em nossas vidas, multiplicando a onda do amor pela humanidade.

Que assim seja por todo o ano de 2012.

 

O CHAMADO

 

Final de ano! Momento de planejar. O que fazer no novo ano? Dietas, compras, novo emprego... a lista é enorme.

 

O que nos pede o coração? Do que  ele precisa? Talvez seja a hora de escutá-lo.

 

Na mensagem recebida na última terça, 27 de dezembro, um amigo nos conta sua história. Relata sobre mudança de vida, de recomeço. Aproxima-nos da capacidade de escolher caminhos novos jamais pensados, que pode nos conduzir a uma vida nova e mais feliz.

 

Ensina-nos a enfrentar nossos medos e seguir em frente, pois existe luz no final do percurso. Ensina-nos, ainda, a ficarmos atentos às indicações e pessoas que nos auxiliam a encontrá-lo.

 

Neste ano que se finaliza, olho para trás e enxergo acertos e tropeços, alegrias e tristezas. O muito que produzi e tantas outras coisas que deixei de fazer. Porém, aprendi a olhar com carinho e paciência. Meu coração me ensinou.

 

Portanto, em 2012, quero continuar a ouvi-lo. Deixar que ele me guie, mostrando-me o melhor caminho.

 

Planos? A minha lista é enorme. O que a encabeça? O ato de amar: a minha maior lição deste ano. Aprender a usar o amor como instrumento: a minha melhor escolha.

 

Só me resta agradecer: a Deus, à vida, a todos com os quais convivi, compartilhei, aprendi...

 

Obrigada!

Andréa

 

Compartilho mensagem recebida em 27.12.11.

 

Foi há muito tempo atrás. Depois que a estrela de Davi cruzou o céu, anunciando a chegada do Salvador. Eu e meus homens estávamos preparados para a guerra que começaria logo depois do Natal, a festa dos cristãos.

 

Nossa missão era destruir a todos que se comportassem como filhos de Deus.

 

Depois de tantos anos, ainda se perseguia os seguidores do Cristo. E eu, por mais que não concordasse com a matança, precisava respeitar as ordens do meu capitão.

 

Até o dia que a conheci. Era uma mulher forte e, ao mesmo tempo, doce. Trazia, na face, a dor da incompreensão. Porém, de sua boca apenas brotavam palavras de esperança. Era uma jovem senhora que dedicava a vida ao Cristo.

 

A primeira vez que a vi, era um lindo dia de sol. Seus cabelos eram banhados pela luz e seu sorriso transmitia luminosidade. Fiquei parado observando-a. Seus gestos me encantaram. Tinha tanta doçura e leveza no olhar! Estava à beira do rio banhando-se. Encontrava-se rodeada de crianças, com as quais conversava. Contava histórias que falavam de amor e de paz. No meio de seu discurso ouvi o nome daquele ao qual devia perseguir, mas era meu dia de folga e ela falava para pequeninos. Então, fiquei por ali contemplando a cena.

 

Hoje, tenho certeza de que nada podia fazer, uma vez que suas palavras tocaram meu coração e me hipnotizaram. Fiquei sem ação. Fechei os olhos, deitei-me na relva que rodeava o rio e fiquei a escutá-la. Não sei quanto tempo estive por ali. Por um instante tive a sensação de que muitos me rodeavam. Abri os olhos e, por impulso, sentei-me rapidamente em posição de alerta. Ela estava a me fitar. As crianças que a acompanhavam riram do meu susto. Ela estendeu-me a mão. Sorriu com doçura e disse que Jesus estava a me esperar. E disse: “Depressa, levante-se e venha”. Levantei-me, mas não consegui segui-la. Ela olhou para trás e, sorrindo me disse: “Não demore”.

 

Acompanhei-a com o olhar até que os meus olhos não pudessem vê-la. Depois fiquei ali. Voltei à relva e adormeci. Sonhei com anjos, com o céu, com uma vida diferente, num lugar diferente. Acordei com o chamado dos colegas. Era hora de retornar ao trabalho.

 

Jamais me esqueci daquele encontro. Evitava vê-la, mas procurava sempre por notícias. Queria sempre informações sobre ela e sobre o que estava fazendo. 

 

Sempre fui tranquilo, mas depois daquele encontro, tudo ficou diferente. Pegava-me pensando nela e em suas palavras. Desejava ouvir mais sobre as belas histórias que contava. Queria saber mais sobre Jesus...

 

Com a desculpa que precisava conhecer o inimigo perguntava sobre Ele aos mais antigos.

 

Descobri que pouco se sabia sobre Ele. Ninguém entendia por que havia sido condenado e muito menos compreendiam porque continuava sendo perseguido. E todos aqueles seguidores que davam a vida por seu nome mesmo depois da sua morte? Consideravam-no um grande líder capaz de arrastar multidões em Seu nome.

 

Suas estratégias falavam que Ele era o amor. Como assim o amor? Ninguém sabia explicar, mas era a palavra de ordem dos seus seguidores.

 

Cada vez mais curioso me sentia atraído pelas palavras daquela mulher e de seu Salvador.

 

Eram tempos difíceis: de fome e seca. O povo sofria muito. Os impostos cada vez mais altos retiravam tudo deles, não deixando nem para o sustento. Muitos partiam na calada da noite porque não tinham mais o que dar e temiam a morte.

 

Enquanto alguns soldados se divertiam com a situação e os perseguiam e os matavam, outro grupo, no qual eu estava incluído, fazia vista grossa, permitindo que partissem em paz. Numa destas noites, um ancião que tentava fugir com a família ficou para trás. Não teve força e preferiu poupar a vida dos seus, ficando para trás. Encontrei-o encostado numa pedra, tentando esconder-se atrás de uma moita. Arrastei-o para uma gruta que ficava por ali perto e o escondi. Não consegui entregá-lo. Muito menos matá-lo. Trazia tanta confiança no olhar, não demonstrando medo quando o encontrei. Apenas sussurrou: “Seja feita a vontade de meu Senhor”.

 

No outro dia, e em muitos outros, voltei à caverna para ouvi-lo. Levava água e alimento e o ouvia falar sobre o Cristo. Cada vez mais me espantava as histórias e o que chamavam de fé. Confiavam cegamente, ou melhor, de olhos abertos e vívidos, em seu Deus. Não o temiam. Conheciam-no bem e acreditavam numa terra prometida que viria depois da morte.

 

Não posso negar que agradecia a Deus aqueles encontros e a calmaria dos tempos. Os cristãos estavam encolhidos em cavernas, falando sobre o Cristo. Eram discretos e não causavam problemas. Sem perseguição e morte.

 

Sim, comecei a agradecer a Deus porque comecei a acreditar Nele. Como não tinha coragem de ser Seu seguidor, fingia que estava conhecendo o inimigo. Que estava cansado de guerras... fingia para os outros e para mim mesmo.

 

Até que chegou o dia do meu chamado.

 

Dias depois da festa em lembrança ao nascimento do Cristo, os Cristãos resolveram que precisavam divulgar sobre o Cristo com mais afinco. Saíram das cavernas para as cidades, para os guetos, as praças. Diziam que Deus é para todos. Que não podiam escondê-lo. Surgiu o terror. Foram perseguidos, presos e queimados.

 

Arranjei uma doença, um pé quebrado. Fiquei de cama em casa. Porém, podia ouvir os gritos de terror, as súplicas e os cantos de oração. Tive febre e pesadelos. Até que num sono tranquilo fui chamado.

 

Apareceu-me um anjo vestido de homem. Dizia que era meu pai, porém não o reconheci. Havia morrido quando eu era um menino. Alertou-me da minha covardia. Trazia tristeza no olhar e doçura em suas palavras. “Levante-se. Chegou a hora. Precisa fazer valer o coração que traz no peito. É chegada a hora de defender seus irmãos, de se reunir a eles pelo amor ao Cristo que está presente em seu coração e tem sido cultivado por longos meses”. E, abraçando-me, sussurrou em meu ouvido: “O Cristo o espera”.

 

Levantei-me de sobressalto. Já não sentia medo ou dor. Lancei-me pelas ruas. Já sabia o que fazer. Procurei os que faziam parte do meu grupo e os encontrei cabisbaixos, sofridos. Encorajei-os a defender os cristãos, a mudarem de lado. Da minha boca saíram as palavras que havia ouvido sobre o Cristo. Falei sobre a fé, o amor e a compaixão. Os convoquei em nome do Senhor e fui atendido. Seguiram-me, enfrentando tudo e todos. Saímos em busca de outros e ficamos mais fortes. Então, fomos ter com os cristãos.

 

Encontrei-os escondidos, rezando, aclamando ao Senhor por uma resposta. Quando cheguei receberam-me com desconfiança. Mas ela surgiu. Veio até meu encontro e recebeu-me com alegria e confiança. E disse: “Eis a resposta: este é um soldado do Senhor”.

 

Conhecia muito bem aquelas cavernas, pois, ali passei a minha infância. Conduzi-los em segurança até o outro vale onde puderam seguir com as crianças e velhos em direção ao bosque. Os homens queriam voltar. Enfrentar os soldados. Mas os convenci a seguir.

 

Jesus falava em meu coração. Orientou-me a retirar todos os que o amavam e o seguiam. Orientou a guia-los para terra mais calma, para que, um certo dia, pudéssemos falar em Seu nome. Queria que nos preparássemos, nos fortalecêssemos para, somente depois, unidos, enfrentássemos os grandes exércitos. Disse que Seu reino era de paz e amor. Não queria mais a matança de Seus filhos. Reuniu todos nós para que fôssemos à busca da paz. E foi o que fizemos.

 

Erguemos uma cidade. Cultivamos a paz e as Suas palavras. Escrevemos Suas lições e compartilhamos Seu amor entre nós e com os viajantes que passavam por nós. Divulgamos Seu nome em paz. Muitos outros seguidores do Cristo se juntaram a nós.

 

Conto-lhes minha história para que tenham fé. Para que tenham paz. Para saberem que nunca é tarde para ouvir o chamado do Cristo.

 

Josué, um simples servo do Senhor.

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