REFLEXÃO SOBRE O AMANHÃ

19/05/2011 21:49

O Momento de Luz desta semana coloca seu foco nos dias atuais. Dias em que a modernidade nos espreita na esquina e a vida torna-se uma constante de receios e medos do desconhecido.

O autor faz uma análise do indivíduo atual, compreendendo o seu sentimento de desnorteio, evidenciando um enfraquecimento da inteligência pela falta da “vitamina do otimismo,” do exercício da imaginação, da vontade de sublevar-se contra a inércia.

Textos como o de hoje, buscam provocar o nosso ser, não necessariamente para mudarmos, mas, ao menos, nos mexermos.

Um dia repleto de paz para todos.

 

 

 

REFLEXÃO SOBRE O AMANHÃ

 

Adriano Carballo

 

                                                                                                                             folha 1

 

Há milhares de anos, uma criatura de andar desengonçado e raciocínio animalesco surgia na Terra - era o Homo Erectus. Daí para a modernidade atual, passaram-se muitas épocas, muitas lutas. A luta pela comida, pela supremacia da força bruta no grupo; o domínio do "inimigo" e seu conseqüente extermínio; o desenvolvimento intelectual, no começo tímido, usando apenas a ferramenta que estava pronta (a pedra lascada), para depois transformar o barro e mais tarde o ferro.

 

Assim, sucessivamente e a cada época mais rápido, fomos avançando em conhecimentos, fazendo com que os vários focos de criatividade fossem multiplicadores. Chegamos à época da realidade virtual, da bioquímica, comunicações intercontinentais simultâneas, fibra ótica, transplantes de órgãos, viagens espaciais, clonagem. Como negar o caminho evolutivo da transformação constante?

 

Chega o tempo em que a modernidade nos espreita na esquina e a vida torna-se uma constante de receios e medos do desconhecido. Teimamos que tudo não passa de ilusão, que o mundo real, “pensamos " ( é o que nós vemos, o resto são   fantasias para manipular nossas mentes inertes e que na esquina não há nada para ser visto) Mas não temos a coragem de abeirarmo-nos da esquina, porque é temível o desconhecido...

 

A praga da mente preguiçosa toma conta de nós e a visão limitada, faz com que prefiramos negar a existência da esquina e de um horizonte mais distante. As mentes sem imaginação, presas ao passado irrecuperável, divagarão pelo nada do futuro, pelo presente estéril da falta visão.

 

Mas não restam dúvidas de que há e sempre houve nas sociedades indivíduos que, em sua aparente loucura, nos levam a reboque. Indivíduos que, visionários de um amanhã produtivo e melhorado, desprendem seus espíritos das amarras corporais e sociais em suas noites de devaneios, viajam no éter, trazendo a energia revigorante e o conhecimento útil para aquela sociedade embotada pela sua cegueira densa.

 

Einstein, Jesus, Ghandi, Allan Kardec, Bill Gates, Peter Drucker, Stephen Hawckings - pequena amostra de loucos maravilhosos que, de alguma forma, mudaram nossas vidas. Cada um em seu tempo nos carregou com nossa ignorância e insensatez.

 

Quantas verdades negadas em todos os tempos? Quantas cóleras despertadas ao sentirmos traídos nossos egos perniciosos, desencadeando desagrado à nossa pífia inteligência ?

 

Despertar, fluir, elevar-se, integrar-se ao meio mutante - este deverá ser o esforço coletivo da sociedade a cada dia, andando sobre o chão firme das experiências históricas, com os passos dos generosos conhecimentos universais e com o olhar no amanhã que todos almejamos.

 

O indivíduo atual sente-se desnorteado, os focos de modernidade se multiplicam a tal velocidade que as pernas da inteligência fraquejam pela falta da “vitamina do otimismo,” do exercício da imaginação, da vontade de sublevar-se contra a inércia.

 

Tornamo-nos prisioneiros do medo, deixamos a ventania arrastar nossas estruturas morais já carcomidas pelo tempo. O todo é muito amplo e não conseguimos distinguir as partes que nos interessam “pôr suas particularidades” aos diversos grupos a que pertencemos.

 

Nesse imenso mar onde, tubarões e pérolas, algas e crustáceos, baleias e plántons, fazem a vida se multiplicar, só conseguimos ver a lamina da água, pois não o desbravamos, preferimos manter-nos em nossa ilha já moribunda, a falta de preparo nos deixa expostos aos tubarões da ignorância, impedindo-nos a visão da pérola.  

 

No fluxo e refluxo da vida verificamos o reflexo do timoneiro, quando este é hábil em lidar com as ondas, a cada viagem uma marola diferente, portanto uma adaptação conveniente deve ser testada, com a manobra precisa para não afundar a embarcação e singrar os mares da vida com o menor dispêndio de energias.

 

Nos constantes erros de avaliação, pode o indivíduo pouco a pouca debilitar as estruturas de sua sociedade sem o perceber, induzindo com a idéia distorcida da modernidade, como de capacidade de transmitir aos jovens os princípios sublimados do amor, Isto se deve em parte das idéias fantasiosas dos valores econômicos, sem o devido cuidado de conteúdo moral.

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