RUTE

11/05/2012 07:14

 

Esta semana, conheceremos um pouco mais sobre Rute uma médium que se permitiu utilizar de suas faculdades mediúnicas para o bem de si mesma e do próximo. Sigamos juntos, acompanhando a sua trajetória até a Casa do Cristo.

“Os médiuns são os intérpretes incumbidos de transmitir aos homens os ensinos dos Espíritos..." (Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, 9.)

 “ há-os por toda a parte, em todos os países, em todas as classes da sociedade, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que em nenhum ponto faltem e a fim de ficar demonstrado aos homens que todos são chamados.” (Cap. XIX, 10)

Linda viagem!

Andréa

 

 

 RUTE

 

A mediunidade é um presente divino que deve ser utilizado pelo bem de si mesmo e da humanidade. Um dom que possibilita a comunicabilidade entre os seres, espíritos encarnados ou não. Uma comunicação profunda que rompe os laços pesados do material em busca da suavidade e delicadeza do espiritual. Aprofunda as relações, porque vence as barreiras impostas pelo espírito, pelo seu inconsciente, pelo passado, pelo medo de enfrentar as vicissitudes de si mesmo.

Rute era uma médium, assim como todos os outros seres que habitam a terra. Porém, ela permitiu-se fazer uso de suas faculdades mediúnicas, desenvolvidas no decorrer de sua existência. Pois é desta maneira que ocorre: uma faculdade inerente ao homem assim como o ver, o ouvir, o sentir que pode ser desenvolvida no decorrer de sua existência, se esta for a sua escolha.

Quando na erraticidade, ciente de sua capacidade, o médium prepara-se para que na fase encarnatória possa desenvolvê-la e utilizá-la conforme as leis de Deus. Porém, ocorre que muitos, no processo de esquecimento, a extingue de sua vontade, abandonando os projetos aos quais se comprometeu no momento do planejamento da reencarnação.

A pequena Rute, quando ainda só uma menina, já apresentava sinais de sua habilidade. Voltava-se para ela, até em suas brincadeiras infantis. Promovia conversas telepáticas entre suas bonecas e realizava diálogos com amigos invisíveis. Sua família, desconhecendo tal processo considerava-o, simplesmente, como imaginação. Não o condenou, mas, também, não o incentivou.

Quando adolescente, percebia com facilidade o que outros não podiam, como: emoções e pensamentos não revelados, presenças de desencarnados, acontecimentos futuros imediatos. Esquecida de algo que lhe era natural, temeu o que ocorria consigo. Procurou ajuda dos pais que não compreendiam e preocupados levaram-na ao sábio da comunidade.

Naquele tempo, era comum reunir-se em volta dos mais velhos e escutar suas lições para vida. Iam em busca de conhecimento e de conselhos para as decisões mais difíceis do dia-a-dia. Sem formação, eram homens simples, confusos com a liberdade de escolher, pois passaram a maior parte da vida sendo manobrados pelo proprietário ou patrão. Quando não eram ex-escravos, eram descendentes de índios ou simples acompanhantes que vinham para servir os mais abastados.

O ancião, já muito vivido, procurava, em sua história de vida, um encaminhamento para os pequeninos que a ele recorriam. Ouvia-os com atenção e carinho e, quando sem resposta, voltava-se para o céu e pedia auxílio.

Foi assim que se sucedeu com Rute. Quando diante do velho sábio a contar sua história, foi surpreendida com uma cara de espanto que registrava o desconhecimento. O ancião voltou-se para o céu e, em oração, evocou os bons espíritos para que o auxiliassem nesta nova missão.

Assim considerou o encontro com Rute: uma nova missão. Pois acreditava no que ela dizia e, ao lembrar-se das histórias que sua mãe lhe contava, pensou sobre os fenômenos da natureza que surgem para nos convidar ao conhecer.  

Passavam a tarde a conversar. Rute a lhe contar o que sentia e ele a lembrar de fatos parecidos ocorridos no passado. Tentavam racionalizar o que acontecia, mas não tiveram êxito. Perceberam que era preciso vivenciar cada momento, envolver-se, sentir, pois a razão, sozinha, não era capaz de compreender.

A jovem se acalmou e agia com naturalidade, acostumou-se aos fenômenos que ocorriam. Porém, a vida a convidava às tarefas de sobrevivência, ao matrimonio e a maternidade. Deixou absorver-se pela vida terrena tão intensamente que, pouco a pouco, sem perceber, foi deixando seu acesso ao mundo espiritual, até bloqueá-lo.

Ao desdobrar, no momento do sono, encontrava-se com os amigos espirituais e dedicava-se ao estudo e ao trabalho. Certa manhã, ao despertar, lembrou-se do sonho que teve e o transcreveu. Ficou surpresa com o conteúdo, pois não sabia o que significava.

Nas noites seguintes, mais informações eram colhidas e, pela manhã, adicionadas aos escritos.  Lembrou-se do velho ancião e desejou que ele estivesse vivo, ao seu lado, a ajudá-la. Na memória, foi surgindo aos poucos as vivencias do passado e, menos ansiosa e assustada, deixou-se envolver novamente pela faculdade mediúnica.  Foi ficando cada vez mais consciente.

Certa manhã, recebeu a visita de uma vizinha que se juntou a ela e ao marido, surgindo à casa do Cristo. E muitos vieram depois, também a contribuir neste novo empreendimento.

Ao voltar do trabalho, ao fim de uma tarde, encontrou uma elegante senhora no meio da rua. Durante a travessia esbarrou-se nela que deixou cair o livro que trazia nas mãos. Rute, envergonhada, baixou-se para pegá-lo no chão e ao levantar-se para entregar-lhe o livro, não a achou. Saiu a sua procura. Desesperou-se por não a encontrá-la. O que faria com seu pertence?

Então abriu o livro a procura de informações e surpreendeu-se ao ler o que estava escrito:

   Querida amiga,

   Para o estudo e a reflexão na Casa do Cristo.

   Abraço afetuoso da irmã Lara.

Rute sentou-se ao chão e leu a capa do livro. Estava escrito: Evangelho segundo o Espiritismo.

Abraço afetuoso Samuel, Gregório, Andréa.

10.05.12

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