TRÊS ALMAS

26/08/2011 06:37

 

O Espírito Mâncio da Cruz, através de Chico Xavier nos traz uma bela lição de que a beleza e a importância estão no caráter e na caridade.

Que nós possamos acessar a nossa angelitude todos os dias. Que a segurança interna seja repleta de luz ofuscando e curando eventuais mazelas do mundo terreno.

Um ótimo dia para todos.

 

 

TRÊS ALMAS
Mâncio da Cruz
Francisco Cândido Xavier

 

    Na antecâmara do Céu, três almas se reuniam, à espera do anjo da Passagem, que, por fim, veio atende-las no etéreo limiar.

    Uma em veste branca, outra em traje dourado e a última em roupagem escura.

    A primeira, ostentando nívea túnica, ataviada de linfas guirlandas, erguia a desassombrada cabeça e dizia sem palavras: - “quem mostrará maior pureza que a minha?”.

    O mensageiro acolheu-a com bondade e abriu-lhe a porta de acesso; contudo, ao transpô-la, como que aturdida por invisíveis raios, a entidade recuou, exclamando:

    - Não posso! Não posso!...

    Disparando interrogações ao vigilante fiscal, explicou-se este, afetuoso:

    - Realmente, envergas o manto lirial, mas o teu coração permanece pesado e escuro. A beleza de tua veste não representa virtude, porque te acovardaste ante a luta. Salvaste as aparências, à custa do suor alheio. Outros choraram e sofreram, para que te mantivesses na pureza externa. Volta ao mundo e santifica o vaso do sentimento.

    Adiantou-se a segunda entidade, exibindo dourada coroa na fonte. De aspecto grave, na bela túnica jalde em que se envolvia, pensava: - “quem saberá mais do que eu?”

    Do sagrado pórtico, no entanto, retrocedeu, com expressão de terror, e, fazendo perguntas ao anjo, dele ouviu novos esclarecimentos:

    - Mostras a glória do saber, mas o teu coração jaz inerte e enregelado. Adquiriste a palma da ciência; todavia, como pudeste esquecer o labor dos que padecem pela exaltação do bem? Torna à casa dos homens e acorda para a compaixão, para o auxílio e para a caridade.

    Logo após, a terceira aproximou-se hesitante, atendendo ao chamado que o emissário do alto lhe dirigia.

    Trazia a fronte humilhada e a vestidura coberta de lama e cinza. Abeirou-se, em lágrimas, do milagroso portal, exclamando consigo: - “Senhor, que será de mim?”

    Em se colocando, porém, à frente das forças que fluíam da abertura, claridade radiosa se fez em torno dela e o que era barro e fuligem transformou-se em luz que parecia nascer-lhe do peito, no imo do coração transformado em sol.

    A alma extática e venturosa partiu, demandando os resplandecentes cimos.

    E, porque as duas almas incapazes da subida lhe dirigissem novas inquirições, o funcionário angélico esclareceu:

    - Vimos agora um coração diligente na obra do amor universal. Aquele viajante, que ora se dirige para o Trono Eterno, veio até nós em condições que nos pareciam desfavoráveis; no entanto, a lama que lhe extravasava das mãos e dos pés, a nuvem de pó que lhe cobria o rosto e os braços, enegrecendo-lhe as vestes, eram os remanescentes da calúnia, da ironia, da maldade e da ingratidão que lhe foram atiradas na Terra por muitos e que ele suportou, com paciência, durante longo tempo, na obra da fraternidade entre as criaturas. As úlceras que se lhe abriram na alma ditosa, porém, transubstanciaram-se em pontos de sintonia com a luz celestial, que nele se inflamou, vigorosa e sublime, descortinando-lhe o caminho da imortalidade. Determina a justiça receba cada um de acordo com as suas obras.

    E enquanto o obreiro aprovado se elevava, célere, no Infinito, a alma branca e a alma dourada volviam ao mundo de matéria espessa, a fim de diplomarem, convenientemente, no aprendizado divino do “fazer e servir”.

(Do livro "Falando à Terra", pelo Espírito Mâncio da Cruz, Francisco Cândido Xavier)

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