TRABALHANDO DESDOBRADO

30/12/2011 11:02

 

Os sonhos ainda são poucos explorados por nós. O fato é que eles podem trazer conteúdos que contribuam para o nosso crescimento, para o nosso trabalho de aperfeiçoamento.

No desdobramento relatado no Momento de Luz de hoje, a sinceridade se mostra como o maior estandarte para conseguirmos levar os nossos desejos de proteção, perdão e amor.

Que esta bandeira esteja presente em todas as nossas ações.

Muita luz.

 

 TRABALHANDO DESDOBRADO

 

 

Quinta feira, na prece final do trabalho mediúnico, foi pedido que se preparasse a equipe para trabalhar durante o sono, em ajuda aos espíritos necessitados.

 

O sono chegou tarde, mas, quando chegou, foi tranqüilo e relaxante.  De repente, me encontro em uma vila de muitas casas humildes, onde o conforto da pavimentação ainda não havia chegado. As ruas e becos tinham um aspecto de abandono, característico de locais onde o poder público ainda não se fazia presente em atendimento as necessidades básicas da população humilde.

 

Buracos e montes de entulho se espalhavam por toda a comunidade, a passagem de pedestres era feita por pequenas trilhas no meio dos monturos. Mesmo assim não era um lugar desagradável. Era um bairro de periferia bastante grande, onde, por sua energia, se podia perceber que havia muitas criaturas do bem.

 

Não havia identificação das ruas, portanto estava preocupado, pois talvez não descobrisse como sair desse local. Eis que, na hora de partir, não conseguia me localizar, em suma, estava perdido.

 

(Diferente de outras ocasiões que me invadira o medo, pois o local e as criaturas que via me impunham pavor de ser assaltado ou agredido fisicamente, desta vez a preocupação era calma e logo desapareceu.)

 

A rua que me encontrava, parecia que me levaria para um bairro mais urbanizado e que eu conhecia, ainda que longe. Portanto, parti para o trabalho despreocupado. Não tinha a noção do lavor que me esperava, nem sequer qual meu objetivo nesse local.

 

Vi, na próxima esquina, uma casa que me atraía. Entrei numa sala de móveis singelos, com algumas roupas e apetrechos por cima do velho sofá, cadeiras e mesa da sala, típico de pequena casa onde o gosto pelas coisas e a arrumação não eram prioritários.

 

Numa pequena mesa surrada pelo tempo, vi pequeno vasilhame de barro com um pó parecendo chocolate meio empedrado. Talvez porque tivesse fome, coloquei uma pequena pedra na boca para degustar. Não tinha qualquer gosto objetivo, portanto não era chocolate. Embora eu não tivesse sofrido qualquer efeito, de repente percebi que se tratava de algum tipo de droga alucinógena, foi pura intuição.

 

Da parte interna da casa, que suponho fosse do quarto de dormir, saiu humilde senhora de meia idade, maltratada pela vida e sofrimento moral que, embora não me olhasse, falava-me com a alma, ou talvez eu lesse suas preocupações mentais.

 

Era de seu jovem filho, o pó que estava na tigela, em cima da mesa. Não percebi se era para uso ou para vender, mas tratava-se, realmente, de algum tipo de psicotrópico. Ela estava preocupada, pois parecia que o traficante da área estava em busca de seu filho para matá-lo.

 

Saí para localizar o dito indivíduo, fornecedor da droga. Fui de boteco em boteco até que, no meio da rua, ele me encontrou. Por que eu o estivera procurando, alguém o informara da minha busca. Era um jovem de uns 35 anos, branco, cabelo curto, roupa simples, mas, bem cuidada. Convidou-me para entramos em pequeno compartimento de uma graciosa casa, onde nos sentamos em pequeno sofá, para ele ouvir o que eu tinha a falar.

 

Disse-lhe que eu queria que não matasse o jovem, pois a mãe estava muito preocupada com seu único filho. Olhava-me com sorriso matreiro, mas interessado em minha ousadia, de entrar em seu território para lhe dizer simplesmente que não matasse o jovem.

 

Perguntou-me por que deveria atender a meu pedido, já que nada tinha a lhe prejudicar. Respondi, simplesmente porque estou pedindo em nome de uma mãe desesperada.

 

Pergunto o que ganharia em troca já que eram negócios e tinha de ser ressarcido.

Afirmei que não tinha nada que poderia lhe pagar, simplesmente lhe pedia que não o matasse.

 

Ele estava entre curioso e preocupado, propenso de ser magnânimo ante tanta sinceridade. O pedido destemido o tinha deixado desnorteado.

 

Saímos para a rua com a promessa implícita de que pensaria no meu pedido. Para que de alguma maneira pudesse recompensá-lo e reforçar a boa vontade dei-lhe, já na rua, meu relógio, meu anel e minha corrente, o que o deixou satisfeito, como se eu tivesse comprado a vida do garoto, pois se sentiu pago e me deixou com um sorriso de satisfeito.

 

Acordei tranqüilo. De tal maneira foi real que mesmo acordado continuei falando mentalmente com ele, mesmo eu sabendo que aparentemente fora um sonho.

 

 

ACA 

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