UM DIA NA FAZENDA

11/02/2012 19:37

 

Segunda, como todos sabem, é dia de poesia no Momento de Luz. Portanto, abramos o nosso coração para a arte do viver.

Hoje, especialmente, com a natureza.

Uma ótima semana para todos.

 

 

UM DIA NA FAZENDA

 

O dia despertava lentamente, preguiçoso

Os primeiros raios de sol anunciavam a primavera

No colorido do horizonte divisavam-se imagens

Das janelas disformes, da humilde tapera

 

As águas saltitavam no regato da ladeira

Salpicando orvalho nas plantas da beirada

Que se curvavam para beber a bruma

Deixada pelo frio da madrugada

 

Os fentos e croques sacudiam a letargia

Deixando para trás a tristeza da noite

Que, com seu manto, trazia a frieza

Recebendo dos ventos, seu açoite.

 

O idoso dava os primeiros passos da manhã

Admirando a beleza das flores do campo

Que acordaram, perfumadas, de roupa nova

Mostrando para ele seu encanto

 

O mugido do gado ressoava na campina

O balido das ovelhas dava o tom ao dia

Suínos e aves completavam a orquestra

Mostrando ao campo a sua rebeldia

 

Apesar da alegria da feliz bicharada

Os corvos cantavam música da morte

Buscando o repasto, nos mortos da noite

Provocado pelo frio que viera do norte

 

Cucos e gayos, melros e andorinhas

Com seu chilrear anunciavam a vida

Buscando o repasto para seus filhotes

Que ficaram no ninho, além da campina

 

Os coelhos e lebres corriam no campo

Brincavam ao sol saindo da fossa

Orelhas em pé e ouvidos atentos

Para detectar a presença da raposa

 

O dia vai em frente, as horas não param

Tudo volta a seu ponto passo a passo

O labor cansativo do dia inteiro

Começou na alvorada e terminou no ocaso

 

Tudo se acalmando nos lares humildes

Cansados que estavam da labuta do dia

A indolência toma conta das criaturas

Serenando a ansiedade e a rebeldia.

 

Assim termina um dia na fazenda

Onde lutaram pela sobrevivência

Entregando a Deus no altar da vida

Seus atos de amor e de decência

 

ACA

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