UM ESPIRITO DEGRADADO

28/10/2011 07:19

O Momento de Luz de hoje traz um breve relato da nossa capacidade de criar auto limitações em nossas mentes. Da nossa capacidade infeliz de nos condicionarmos, de sermos domesticados pelo outro, perdendo a nossa capacidade de viver aquilo que realmente somos.

Estejamos atentos às nossas formas pensamentos, estejamos com os ensinamentos do nosso Mestre Jesus sempre em nossos corações.

Que tenhamos um dia de muita liberdade.

 

UM ESPIRITO DEGRADADO

 

Numa feliz noite de contato com os espíritos, estávamos no final da reunião. Nos preparávamos para o refazimento e a espiritualidade maior encaminhava os seres que se propunham a deixar-se ajudar, para o pronto-socorro, próprios a cada necessidade.

 

Adentra a sala mediúnica uma senhora (espirito). Era uma dama esguia, vestido longo de tonalidade escura, sua pele clara com algumas rugas e semblante entristecido; sua postura altiva, sua franqueza no olhar, impregnada de  humildade, nos levou a crer ser um espirito de comportamento reto e de experiência de vida sofrida e digna.

 

Postou-se a meu lado direito, trazia na mão uma coleira, atada ao outro extremo o que parecia um animal de pelo negro brilhante: assemelhando-se à um espécime saudável da raça canina.

 

No seu lamento dizia-me, com palavras que ressoavam em meu cérebro:  “veja, olhe para ele como está”. Em seu lamento, traduzia a dor de uma mãe ou protetora, o que não pude confirmar.

 

Ele, em sua curiosidade de animal domesticado, sem agressividade, como se aquela coleira fosse segura por ser querido, em quem confiava, adentrou o local, como se quisesse identificar o ambiente. Cheirava todos os cantos, inclusive minhas vestes.

 

Minhas pernas eram cheiradas como a reconhecer aquele a quem sua protetora pedia auxilio. Portava-se como faria um cão de guarda.  Foi para o centro da sala, como se conduzido por mão invisível. À medida que andava para o centro da sala, fazia-se uma metamorfose ainda mais surpreendente.

 

Pensando tratar-se de minha loucura momentânea silenciei ante este novo e surpreendente fato, pois à medida que se passavam os acontecimentos eu os ia narrando aos companheiros da reunião, salvo este último, que me parecia surrealista. O lobo se transformava, pouco a pouco, num suíno, o que me deixou parado, lívido e sem saber o que dizer.

 

Quem estuda o espiritismo sabe que a plasticidade da matéria de que os espíritos são revestidos lhes permite essa transformação, chamada de “zoantropia” Já havia assistido a transformação de alguns seres que se apresentavam como: cobras, figuras de aspecto demoníaco, deformações variadas, recomposição de membros e recolocação de cabeças de alguns decapitados quando em vida etc., que, por força da energia doada, se recompunham e voltavam a seu estado humano, de corpo completo. Contudo, nunca havia visto esta mudança, de um animal para outro.

 

No meio deste assombro que me paralisava, saiu em meu socorro uma colega que, vendo o que se passava, corroborou minhas informações, incluindo este ultimo fato que deixara em dúvida minha sanidade mental.

 

Todos oramos com fervor por aquela criatura. Não sei por que não me foi permitido ver o desfecho do tratamento, não sei se conseguimos realizar a transmutação do espirito para seu estado natural ou se a espiritualidade maior o conduziu para futuro recondicionamento.

 

A. C. A.

01/2004

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