UMA VIDA PERDIDA

18/03/2012 14:11

 

O Momento de Luz traz uma breve história repleta de reflexões, mas, felizmente, ausente de conclusões.

Será que estamos eternamente presos às consequências das nossas atitudes? O que podemos fazer para mudar um padrão, que se iniciou conosco, mas que se perpetua para além das nossas vontades?

Será que somos preconceituosos? Como  o olhar dos outros conduz as nossas vidas? Será que conduz?

Reflexões, apenas reflexões. É como isso que deixamos a todos hoje.

Quem tenhamos um dia repleto delas. Muita paz.

 

UMA VIDA PERDIDA

 

Passei por um indivíduo de aspecto lúgubre. Era conhecido nas redondezas por uma personalidade introvertida, por furto, sendo, até, violento em muitas oportunidades. Já estivera na prisão por diversos delitos desse tipo. Fora mal criado com outros irmãos, por tios, que nada mais não sabiam para dar-lhe uma educação de cidadão honesto, depois de abandonados por mãe imprevidente

Seu andar, sempre de cabeça baixa, emitia suspeita, por olhar de soslaio, indireto, perscrutador, desconfiado, dando a impressão de preparar-se para o bote e isso intimidava os indivíduos predispondo-os a rejeição.

Nesta noite lembrei-me da criatura, envolvi mentalmente sua psicosfera e comecei a rezar por ele, já na hora de dormir. O pavor tomou conta de mim, não sei se pelo preconceito ou pela energia que o envolvia, de maneira que interrompi a prece e, mentalizando Jesus, pedi proteção para meu lar, acalmando-me.

Pensei sobre o tema no dia seguinte: talvez eu não devesse ter feito essa mentalização no ambiente doméstico, quiçá eu fora irresponsável, não sei, o fato é que foi de boa vontade e, quando pedi ajuda, tenho certeza que fui atendido.

Escrevi um e-mail para uma amiga do grupo espírita que eu frequentava pedindo que trabalhassem esse individuo, o que foi feito, acolhendo alguns espíritos que o acompanhavam por sintonia e/ou dominação

 Voltando para a cidade e, consequentemente, para o trabalho mediúnico, trabalhei com a médium a ficha do dito personagem. Apresentou-se ele, seu comportamento peculiar nos dava a certeza, confirmou sua identidade e batemos um longo papo sobre a vida.

Falava-me de como era desprezado por todos, não tinha qualquer aconchego humano, as pessoas o afastavam. Afirmou que seu comportamento incomum era por causa dos outros, que o olhavam de lado, fazendo se sentir agredido.

Contei-lhe que isso era bem natural pelo medo que causava, pela sua história comportamental, à margem da lei. O lembrei que, desde criança, fora se distanciando da retidão social deixando-se arrastar para o crime, talvez por falta de uma família que o encaminhasse com decência! Mas não era menos grave suas atitudes.

Dizia que isso acontecera, mas agora já não representava perigo, pois já fazia algum tempo que não cometia qualquer delito. Ele não se dava de conta que isso não o livrava da suspeita, de seu passado, com seu aspecto e seu comportamento esquivo fazendo o caldo da suspeita.

Ofereci-lhe a casa de Jesus para sua estada durante as horas de sono. Falei que seria acolhido com carinho por todos que trabalhavam neste local, que o amor que suplicava não lhe faltaria, só dependia dele. Nesta noite parece que ficou aos cuidados dos mentores da casa.

 

ACA

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