VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (47)

05/07/2011 20:23

Espiritismo é Ciência, Filosofia e Religião.

A vivência mediúnica desta quinta deixa isso claro no momento em que relata a nossa formação cerebral, relacionando à emoção do medo, presente em todos.

No texto, é muito belo perceber como o nosso sistema biológico vai sendo formatado para o nosso desenvolvimento espiritual e para a efetivação de uma moral divina, em que, um dia, o amor passa a ser instintivo em todo o nosso conglomerado celular.

Que todo tenhamos uma semana repleta de amor em cada atitude.

 

 

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (47)

 

 

Observamos nestas últimas semanas alguns aspectos desta emoção humana: o medo.

Tão importante para a nossa sobrevivência, o medo ativa áreas cerebrais já bem identificadas. Por isso comentarei hoje alguns aspectos relacionados à neurociência e a evolução.

Ao desencadear respostas orgânicas através de mecanismos neuroendócrinas, citados rapidamente na Vivência Mediúnica 44, e também respostas comportamentais em processos mentais, o medo tem o potencial de desenvolver novas memórias ou reforçar a outras pré-existentes, portanto crucial para a experiência.

Mas, nem sempre o contato com “o medo” e seus desdobramentos psíquicos se tornam conscientes a ponto de serem trabalhados com a reflexão, pois o nosso inconsciente “grava”, de modo praticamente automático, conteúdos com grande carga emocional ou traumáticos, sem que necessariamente  passem pelo crivo da razão.

Com áreas cerebrais bem distintas ainda que interconectadas, a área da “razão consciente”, da motivação e do juízo de valores, só veio a desenvolver-se muito tempo depois dessas áreas mais arcaicas que controlam a sobrevivência instintiva e básica. 

Eis porque muitas vezes as emoções chegam “de supetão” à racionalidade, como que inesperadas visitas, por vezes incômodas, indesejadas, porém firmes e presentes, carentes da nossa atenção e cuidado.

 

No encéfalo as áreas relacionadas às emoções são filogeneticamente muito antigas, chamadas de arqui e páleo-encéfalo, e à medida que se desenvolve filogeneticamente nos animais, adquire mais camadas e mais habilidades.

O homem difere dos outros animais pelo espantoso e extraordinário desenvolvimento do seu córtex, área mais cinzenta e externa do cérebro, notadamente na região frontal, onde está esse córtex mais especial e recente ou neo-córtex.

Segundo MacLean (1977), o cérebro humano resulta do sucessivo acréscimo de três etapas evolutivas operadas há milhões de anos, sendo a mais antiga, com 200 milhões de anos, o arquiencéfalo ou cérebro reptiliano; a segunda com 100 milhões de anos é o páleo-encéfalo ou cérebro límbico e disposta em torno da área anterior; e a mais recente, com cerca de 1 milhão de anos, representada pelo neocórtex ou cérebro superior, e que se dispõe em torno do páleo-encéfalo, englobando-o.

Cada um destes três territórios corticais exercem controle bem estabelecido sobre funções gerais. O arquicórtex (ou rinencéfalo) preside aos mecanismos instintivos, ligados à preservação do indivíduo e da própria espécie, e, o paleocórtex (sistema límbico), com estruturas corticais e subcorticais, está ligado à vida emotiva do animal, propiciando ao cérebro reptiliano alguns comportamentos estereotipados.

O neocórtex, já mais desenvolvido nos primatas, fornece suporte a atividades cognitivas e voluntárias, que atingem na espécie humana o seu máximo desenvolvimento.

 

Aí está a base para que um encéfalo perispiritual se manifeste e desenvolva no ser encarnado, pois o homem cria, transforma e inova, ao trabalhar com suas potencialidades. Usa a informação, reflete, memoriza e descarta, portanto, possui habilidades muito acima dos instintos básicos anteriores, já que capacitado para “ser consciente”, tendo uma escolha superior.

 

O espírito, portanto, está instrumentalizado com diversas potencialidades ao seu dispor, já é corresponsável pela sua existência e percebe a presença da pulsão evolutiva em si mesmo, que é a moral.

O homem, ao distinguir a animalidade inferior importante na sua história pregressa, reconhece em si mesmo a presença dos instintos arcaicos, amorais,  para serem educados e transformados, sem preconceitos.

 

O homem consciente pode desenvolver o seu instinto maior: o amor, que para ser instintivo requer tempo, aprendizado, transformação. Como na filogênese: o ato aprendido e muito reproduzido passa a hábito, e hábito antigo se torna automatismo reflexo, já bem próximo se tornar instinto.

Aceitar nossos medos amorosamente é refletir acerca deles, de como alguns são necessários, mas outros são entraves à nossa evolução. Além de reconhecê-los, pouco a pouco, podemos transformar essa poderosa energia numa memória experiencial enriquecedora, numa parceria construtiva.

 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

28/06/2011

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