VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (49)

21/07/2011 05:53

Nesta semana, continuamos com a história da irmã que estava encastelada e o quanto ela pode nos ensinar na compreensão da construção dos nossos castelos.

Sendo válidas as mesmas perguntas levantadas na primeira parte desta história: Quais as razões para a sua construção? Se eles nos permitem liberdade ou nos aprisionam? Se eles ainda se justificam.

Que todos tenham um lindo dia.

 

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (49)

 

 

Algumas semanas após nosso primeiro encontro, a irmã "encastelada" retornou. Neste dia, ao iniciar o contato evidenciava muita tristeza, embora mais calma.

- " Não entendo o que está acontecendo. Sei que não estou na minha torre, mas não posso ficar aqui, tenho medo de sair.... se eles voltarem e não me encontrarem lá vão me perder, e daí como vão poder me localizar ?"

Falei que ela foi localizada por parentes que se preocuparam com ela, e desejavam encontrá-la, por isso foi trazida para a nossa instituição.

- " Mas, onde estão meu pai e meu noivo? Não posso demorar... "

No diálogo que se seguiu, foi esclarecida que na guerra eles foram feridos e estavam impossibilitados de estar ali naquele momento. Com isto a irmã ficou mais conformada, já querendo ir até onde eles estavam, embora preocupada com sua saída do castelo. Quando isto ocorreu, retornou à pseudo-segurança da torre, e novamente se encontrou no velho e abandonado local.

- "Está diferente agora, tem uma parede toda desabada, porque está tudo em ruínas? E onde está a porta que vivia trancada?"

Continuou fazendo perguntas, curiosa e ao mesmo tempo temerária, algumas delas seguidas, sem que eu tivesse a oportunidade de interrompê-la, pois parecia estar falando consigo mesma, tentando encontrar alguma explicação. Segue falando do seu medo em ser morta por soldados inimigos caso saísse dali, e se eu não a enganava com falsas notícias, pois já que estavam feridos, o pai e o noivo poderiam estar mortos. Preocupada com seu futuro, com o que iria acontecer com ela caso "o destino mudasse os planos", pois iria ficar sozinha.

Ficou confusa e agitada, melhorando com o passe da assistência espiritual e a prece silenciosa. Sonolenta, disse que queria descansar, depois que queria ficar só e pensar um pouco: "já é muita notícia para um dia" !

Na semana seguinte mantivemos novo contato e a percebi mais forte e disposta. Logo que estabeleceu contato, quis relatar um sonho que teve: " Imagine só, sonhei que estava na torre e vi uma mulher mais velha, que morreu de fome e frio, abandonada e acabada. Fechei os olhos e depois vi que ficaram só os ossos, era tudo escuro e feio, e tive medo, meu corpo doía, e ela tinha o cabelo quase igual ao meu. Ouvi uns gritos do lado de fora e os vultos diziam que era eu. Eu não quero mais ver isso, e eu não vou ficar assim, não sou eu! Acordei assustada e ainda bem que, depois que eu chorei, dormi novamente e sonhei com minha mãe, acho que era ela, mas não me lembro direito, porque ela morreu quando eu era muito pequena."

Intuída pelos trabalhadores espirituais, após a escuta do "sonho", lhe propus sairmos do castelo, com a proteção adequada, para irmos visitar os parentes na Casa de Saúde, local onde estavam sendo tratados.

Embora ainda temerária, aceitou ir descendo bem devagar as escadarias de pedra. Nesse momento percebi que sua transformação estava ocorrendo, pois deixava transparecer que se despedia do local, pegando nas paredes que, embora a aprisionassem, deixavam-na com uma sensação de segurança.

Quando alcançamos o solo, pedi que visualizasse o jardim, se lembrasse de um belo dia, e fomos andando até uma espécie de acampamento, com várias tendas brancas. Uma freira enfermeira nos recebeu, e já acolhida nos despedimos. Sua postura já não era arrogante nem revoltada, estava mais resignada e com lampejos de esperança no olhar.

Encerro essa história que tanto me ensinou, agradecendo à Misericórdia Divina, que a todos alcança, até os que estão encastelados em experiências passadas, aprisionados no tempo e espaço. Almas imaturas presas nas fantasias que confortam, que não conhecem o amor, carentes do Divino em si mesmas.

Segue a música dos Titãs, Os Cegos Do Castelo, cuja letra lembra a situação vivida pela nossa irmã, e por muitos outros que se encontram em momentos de desalento, com uma fé potencial a ser trabalhada.


Composição: Nando Reis


Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim
http://letras.terra.com.br/titas/48990/
 

MUITA PAZ ara todos nós.

Francesca Freitas

19-07-2011

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