VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (50)

28/07/2011 05:53

A vivência mediúnica desta semana continua o seu estudo sobre os "encastelamentos".

Se valendo de Joana de Angelis e da ciência temos uma elucidação da psicose e do delírio, oportunizando que o conhecimento seja instrumento de transformação íntima, ensejando uma reflexão sobre os nossos atos e pensamentos.

Um grande dia para todos.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (50)

 

 

Hoje analisarei os mecanismos de “encastelamento”, exemplificados nas duas últimas vivências mediúnicas. Se na época medieval podíamos habitar, estarmos resguardados ou nos esconder em castelos, podemos fazer o mesmo hoje, em outro tipo de construção. Mudam-se as moradas físicas, os costumes e a tecnociência, mas as conciências tem outro ritmo evolutivo.

 

Os conflitos pessoais da irmã, que chamarei de Muriel, somados ao encarceramento físico e isolamento, colaboraram sobremaneira para um quadro que poderia ter o psicodiagnóstico de psicose, que é um estado psíquico no qual se verifica certa "perda de contato com a realidade".  Muriel delira e confunde o estado de sono e vigília.

 

No caso de Muriel, já havia alguma alienação social prévia ao próprio afastamento traumático do convívio social, mas em muitos outros casos, esse afastamento é auto-imposto por razões diversas.

 

As psicoses podem manifestar-se em vários transtornos ou doenças psíqucas, e em períodos de crise mais intensa podem ocorrer alucinações e delírios, desorganização psíquica que inclui pensamento desorganizado e/ou paranóide, inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa. Tal estado é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do comportamento. Desta forma surgem também, nos momentos de crise, dificuldades de interação social, laborais e em cumprir normalmente as atividades de vida diária.

 

Uma grande variedade de estressores do sistema nervoso, tanto orgânicos como funcionais, podem causar uma reação de sintomatologia semelhante, porém não igual, a estrutura psicótica. Muitos indivíduos têm experiências fora do comum ou mesmo relacionadas com uma distorção da realidade em alguma altura da sua vida, sem que necessariamente sofram grandes consequências para a sua vida.

 

Cada espírito apresenta uma resposta ao trauma, que varia da aceitação e superação, para a negação, revolta e fuga da nova realidade, até mesmo como medida de auto-preservação. Quando esse mundo imaginário, mais confortável que o real, prepondera, há uma descontinuidade com o real, e a peristência neste estado é patológica.

 

Da mestra Joana de Angelis, retirei os fragmentos esclarecedores que seguem (grifos nossos), de “O Homen Integral”, psicografia de Divaldo P. Franco:

 

“Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um com­portamento alienado, que termina por apresentar-se igualmen­te patológico.

As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em luga­res quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, per­dendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.
A necessidade de relacionamento humano, como meca­nismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensí­veis e em todos quantos enfrentam problemas para um inter­câmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.

Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos.”

 

Segue uma descrição de um sintoma de transtorno psíquico, o Delírio, relativamente frequentes no nosso atendimento nas reuniões mediúnicas.

 

Os sintomas positivos da psicose são, principalmente, as Alucinações e os Delírios.
Uma descrição demasiado fácil do Delírio seria dizer: o delírio é uma convicção errônea não-corrigível. Mas, seria preciso lembrar que nem toda convicção errônea não-corrigível é um delírio.

 

Se essa convicção se relacionar com falta de cultura ou erudição, com a falta de conhecimentos ou de inteligência, então não será um delírio, seria mais uma ignorância. Tampouco será delírio aquelas representações errôneas que se originam de sentimentos compreensíveis. Se o amante, por exemplo, está convicto da perfeição da amada imperfeita não se trata de ideias delirantes. As convicções filosóficas ou religiosas também não são delírios, mesmo que muitas pessoas as considerem errôneas, elas devem ser classificadas como ideias supervalorizadas.

 

Se desejarmos qualificar o delírio como um erro, é preciso que se trate de um erro não ambíguo, nem justificável, nem circunstancial e nem, muito menos, emocional. Deve tratar-se sim de um erro que está em oposição visível à realidade objetiva dos fatos.

 

No Delírio ocorre alteração do conteúdo do pensamento, mas não da memória e nem da atenção. É irremovível e inabalável porque, diante do paciente delirante não se consegue demover o conteúdo de seu pensamento mediante qualquer tipo de argumentação.

 

Difere da alucinação, que é a percepção real de um objeto inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo, de origem interna, emancipada de todas variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais (iluminação, acuidade sensorial, etc.), um objeto alucinado muitas vezes é percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.

 

Na Psicose Delirante Crônica as ideias se unem num determinado contexto lógico para formar um sistema delirante total, rigidamente estruturado e organizado.

 

A característica essencial desse Transtorno Delirante Persistente é a presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem por pelo menos 1 mês. Para o diagnóstico é muito importante que o delírio do Transtorno Delirante Persistente não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando de uma falsa e absurda crença.

 

A maioria dos pacientes pode parecer normal em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em alguns, o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social. A impressão que se tem é a de uma ilha de delírio num mar de sanidade, portanto, uma espécie de delírio insular.

 

Esses Delírios normalmente são interpretativos, egocêntricos, sistematizados e coerentes. Pode ser de prejuízo, de perseguição ou de grandeza, impregnado ou não de tonalidade erótica ou com idéias de invenção ou de reforma.

 

Ballone GJ - Psicose Delirânte Crônica - in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, atualizado em 2005

 

 

Encerro com as observações da Mestra Joanna de Angelis, do mesmo livro citado anteriormente:

 

“O homem possui admiráveis recursos interiores não ex­plorados, que lhe dormem em potencial, aguardando o de­senvolvimento.

 

A sua conquista faculta-lhe o autodescobri­mento, o encontro com a sua realidade legítima e, por efeito, com as suas aspirações reais, aquelas que se convertem em suporte de resistência para a vida, equipando-o com os bens inesgotáveis do espírito.

Necessário recorrer a alguns valores éticos morais, a co­ragem para decifrar-se, a confiança no êxito, o amor como manifestação elevada, a verdade que está acima dos capri­chos seitistas e grupais, que o pode acalmar sem o acomodar, tranqüilizá-lo sem o desmotivar para a continuação das bus­cas.

Conseguida a primeira meta, uma nova se lhe apresenta, e continuamente, por considerar-se o infinito da sabedoria e da Vida.”

 

 

 

MUITA PAZ para todos nós,

 

Francesca Freitas

 

27-07-2011

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