VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (52)

11/08/2011 05:24

Vivemos o nosso dia a dia trabalhando muito para termos uma aposentadoria mais tranquila, para que, na velhice, possamos curtir a vida.

A vivência mediúnica de hoje começa a relatar a história de um exímio trabalhador que não percebeu que a vida o estava vivendo, consumindo, e não que ele vivia a sua vida.

A lição do equilíbrio começa a ser construída nas linhas a seguir, esperamos que todos gostem.

Muita paz no coração de cada um de nós.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (52)

 

 

 

Vamos, hoje, falar da história de um trabalhador responsável, cuja dedicação exagerada ao ofício, o distanciou de outros aspectos da vida.

 

No atendimento mediúnico, o espírito de Sr. Antônio (assim denominado para facilitar a exposição) aproximou-se da médium aborrecido. Demonstrava com gestos o seu desagrado por estar conosco e dizia:

- O que estou fazendo aqui? Não os conheço e tenho muito que fazer.

Deixem-me em paz!

 

Pedi para segurar na sua mão e observei que esse espírito era de um senhor que aparentava ter cerca de 60 e poucos anos, magro e com muitas calosidades nas mãos. À medida que segurava suavemente suas mãos, relatou que estava melhorando das “dores nas juntas” que sentia, e perguntou quem era eu, e respondi que trabalhava auxiliando as enfermeiras e médicos da Casa de Caridade. 

A escuta da palavra Caridade o mobilizou completamente, agitou-se e disse:

Não preciso da caridade de ninguém, sempre trabalhei muito, e desde cedo comecei a labuta na roça com meus pais. Não tive muito estudo, mas depois que tive de vir para a cidade, me virei sozinho. Já tive que pedir comida em troca de qualquer serviço e daí fui seguindo. Não recebi ajuda de ninguém, exceto do pessoal da firma.”

 

Pedi que contasse mais da sua história, semelhante a de muitas outras pessoas, que iniciam o trabalho desde jovens e sem o apoio da família, e que resumo a seguir.

Sr. Antônio era um dos filhos mais velhos de uma família numerosa, lavradores que moravam próximos a uma cidade de médio porte. O pai, analfabeto, tirava o sustento da mandioca e hortaliças que vendia na feira, e com a chegada de mais filhos e a notícia que na cidade muitos empregos estavam sendo criados na construção de fábricas, eis que decide enviar o filho para cidade, com 11 para 12 anos de idade. 

Isso ocorreu na época da construção do parque industrial de Aratú, e depois de laborar “fazendo de um tudo” no seu linguajar, foi trabalhar como servente numa obra, acabando por ser contratado pela fábrica que ajudou a construir.

Responsável e operoso, Sr. Antônio gostou do contato com as máquinas, aprendeu a ler e fez um curso fornecido pala própria empresa e daí foi galgando, com seu esforço, melhores posições até se tornar chefe de manutenção de determinada área da fábrica.

Observei que falava disso de modo emocionado e saudoso, dizendo que adorava estar ali, que muitas vezes era mandado para casa pois que ultrapassava sempre a sua jornada de trabalho.

Sempre que precisavam, podiam chamá-lo a qualquer hora, pois estava disposto a ir observar os motores trabalhando e dizia saber pelos ruídos o que funcionava bem e o que estava fora de ordem.

 

Perguntado se teve filhos, disse que não os teve e que ficou viúvo há muitos anos.

Disse: “Para que família? Eu tenho a fábrica e prefiro viver com as máquinas. Os sobrinhos só vêm me visitar para pedir dinheiro! Eu não peço nada a ninguém, portanto me deixem em paz.”

 

Próximo da aposentadoria, Sr. Antônio se desesperou, porque sua vida era literalmente o trabalho.

Austero nos gestos e palavras, econômico nos gastos, morava só.

Nas suas folgas planejava mentalmente o serviço dos próximos dias, lavava seu fardamento e alimentava-se para sobreviver, acordando sempre nos horários de trabalho, passando as horas de modo quase enfadonho quando não estava “na firma”.

Com a notícia que a fábrica iria ser modernizada e a ala em que trabalhava ia ser desativada, Sr. Antônio foi vitimado pela depressão.

Muito triste e irritado, passou alguns dias falando ainda menos com os colegas de trabalho, que observaram sua mudança e solicitaram ao mesmo ir ao médico da empresa. Mas Sr. Antônio dizia para si mesmo: - não posso, há muito trabalho a fazer, e se não precisarem mais de mim agora, o que vou fazer? Não deixarei minhas queridas máquinas!.

 

Nessa hora o espírito ficou muito triste e chorou. Pedi para que ele descansasse um pouco e que conversaríamos outro dia, e acabou por adormecer.

 

Na próxima semana seguiremos com sua comovente história, que muito nos ensina sobre o equilíbrio do nosso tempo e da atenção devida ao que consideramos importante na nossa vida.

 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

10/08/2011

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