VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (60)

05/10/2011 15:35

A vivência mediúnica deste dia trata da evolução do homem, usando como elemento o Livro. O relato da evolução do livro e, consequentemente, do partilhar do conhecimento, nos leva à reflexão sobre temas como o poder, a subordinação e as novas tecnologias.

Assim, que a reflexão esteja presente, neste dia, em nossas vidas.

Nos eduquemos sempre para o conhecer, para o descobrir.

Muita paz.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (60)

 

A experiencia descrita na semana passada, me levou a refletir acerca das circunstâncias presentes na ocasião encarnatória daquele espírito, da sua condição de comerciante - traficante de escravos, e da sua reação e consequente passo inicial de tranformação após ter recebido o Evangelho.

Hoje comentaremos sobre a partilha de conhecimentos, da importância do livro e da imprensa na construção de uma nova etapa civilizatória. Para isto, recordemos que, até o século XV, os “livros” e demais registros gráficos em papel ou material similar eram muito trabalhosos, raros e caros, pois eram feitos manualmente.

A esmagadora maioria da população não sabia ler ou escrever, havia muitas línguas, dialetos e diferentes caracteres ou alfabetos. O conhecimento e as ciências rudimentares estavam restritos a muito poucos. Apenas os nobres e os religiosos de algumas ordens, detinham o conhecimento, e foram os antigos mosteiros as primeiras escolas.

Havia monges copistas e iluministas (ilustradores), que se dedicavam a reproduzir as escrituras bíblicas e documentos outros pertinentes à própria igreja católica romana, tais como as bulas papais. Alguns destes, interessados na filosofia clássica, tambem traduziram do grego para o latim vários textos e fragmentos, conservando um legado importantíssimo para a nossa cultura atual. Além disto, muitos nobres buscavam registrar suas histórias, e daí surgem muitos escreventes e copistas leigos.

O crescimento econômico e a descentralização dos poderes vão chegando, e há a necessidade de registros comerciais e legais, tanto para uma governabilidade mais eficaz, quanto para um comércio e comunicação mais ativos.

Chegamos então à era das grandes navegações, entre os séculos XV e XVII, com troca de materiais diversos, partilha de culturas diferentes, descoberta de novas terras e povos com costumes muito diversos. E essa palavra antiga - “navegação”, nos chega hoje, com sentidos mais amplos, como o de “navegar” na internet. Imagino o imenso impacto causado antigamente com a partilha de informação.

Há uma maior produção de livros, porém como eram escritos à mão, por monges, alunos e escribas, cada exemplar demorava meses a ser preparado, sendo o seu preço elevadíssimo e inacessível para a maioria das pessoas.

É nesse burburinho europeu que Johannes Gutemberg, em Mainz, Alemanha, ex-ourives, estuda e trabalha muito para aperfeiçoar as antigas prensas. Desde a Suméria eram usados discos ou cilindros, de pedra ou metal, o sobre os quais se tinha lavrado o negativo do texto a imprimir. Mas Gutemberg aperfeiçoa os moldes, inventando os tipos móveis de chumbo, duradouros e reutilizáveis, que conferiram enorme versatilidade ao processo de elaboração de livros e outros trabalhos impressos, permitindo sua massificação.

Para realizar seu sonho, compondo a Bíblia como o primeiro livro impresso de tiragem substancial da História, pegou dinheiro emprestado e levou mais de cinco anos até completar sua obra, em 1455. Possivelmente não lhe passou pela cabeça que a Bíblia impressa poderia abalar a fé, fosse de quem fosse, ou ainda ser capaz de tirar o sossego e o emprego dos mestres do saber.

Seu importantíssimo feito, levou à uma série de resistências, críticas e temores, não só da Igreja, mas também no ambiente acadêmico. Conta-se que em Oxford, na Inglaterra, um pouco depois da metade do século XV, a reação foi de estupor na primeira reunião da congregação docente, pois os professores, desconsolados, acreditaram que, com a vinda dos livros impressos, eles não teriam mais função!

Podemos observar atualmente uma discussão similar entre o livro escrito no papel e no computador. Só o tempo revelará o que poderá ser melhorado e aperfeiçoado, desaparece o que não for evolutivo.

Os “donos do saber” pensaram que, no futuro, qualquer um poderia adquirir um livro e aprenderiam tudo por si mesmos.

Para Gutemberg, imprimir o Livro Santo era fixar as suas palavras divinas, bem fundo, na mente dos homens. Tratava-se de um pilar da fé, não uma remoção da estaca que sustentava a crença nos céus. Mas, seu invento também foi utilizado como uma maneira mais eficaz de vender indulgências, até então negociadas com recibos feitos a mão, chegando-se a imprimir mais de 200 mil delas.

E, anos depois, chega a Reforma, Lutero com sua postura contra a venda das indulgências e traduzindo a bíblia do latim para a língua pátria.

O livro, em geral, torna o conhecimento possível de ser partilhado, acessível a um maior número de pessoas. E a Bíblia, nesse particular, permite a interação entre o leitor e as palavras.

Victor Hugo, em 1831, registra, na novela Nossa Senhora Paris, o hipotético impacto da introdução do novo engenho entre os letrados da época. Faz uma crítica à chamada Galáxia Teológica, composta por catedrais, igrejas, capelas, mosteiros, conventos e os mais diversos tipos de retiro, habitada por milhares de padres e freiras, organizados em ordens santas espalhadas por quase toda a Europa, ao redor de quem flutuava uma poeira cósmica de peregrinos, penitentes e pecadores de todos os tipos. Sustentada pelos dízimos – “a primeira lei da gravidade do mundo religioso - e pela fé das gentes, a depois de um império de mais de mil anos, estava com seus dias contados”. E tudo por causa daquele invento. Era o púlpito e o sermão, o manuscrito do monge, que recuavam assustados com o produto do prelo de Gutemberg.

Até o século XV, dizia ele, num mundo de analfabetos, a humanidade comunicava-se com pedras, empilhando-as e arrumando-as das mais variadas formas para expressar a fé (as igrejas), o poder (os castelos), o luxo (os palácios), a propriedade (o muro), a punição (o cárcere), a pobreza (os casebres), e a morte (as lápides). O livro impresso seria a pedra dos tempos futuros, o construtor dos templos do devir : - “ É a revolução mãe... é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra...”

 

O livro é um valioso instrumento de educação, e transcrevo esse belo texto de Emmanuel:

 

EDUCAÇÃO

Educa o terreno e terás o pão farto.

Educa a árvore e receberás a bênção da fartura.

Educa o minério e obterás a utilidade de alto preço.

Educa a argila e plasmarás o vaso nobre.
Educa a inteligência e atingirás a sabedoria.

Educa as mãos e acentuarás a competência.

Educa a palavra e colherás simpatia e cooperação.

Educa o pensamento e conquistarás a ti mesmo.
Sem o alfabeto anoitece o espírito.

Sem o livro falece na cultura.

Sem o mérito da lição a vida seria animalidade.

Sem a experiência e a abnegação dos que ensinam, o homem não romperia as faixas da infância.
Em toda parte, vemos a ação da Providência Divina, no aprimoramento da Alma Humana.
Aqui é o amor que edifica. Além, é o trabalho que aperfeiçoa. 

Mais adiante é a dor que regenera.
Meus amigos, a Terra é nossa escola milenária e sublime.

Jesus é o Nosso Divino Mestre.

O espiritismo sobretudo, é obra de educação.

Façamos da educação com o Cristo, o culto de nossa vida, para que a nossa vida possa educar-se e educar como Senhor, hoje e sempre.

                                    Francisco Cândido Xavier,   Livro: “Taça de Luz” - Edição LAKE

 

Despeço-me desejando boas reflexões.

Muita Paz para todos nós.

 

Francesca Freitas

04-10-2011

 

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg

http://www.museutec.org.br/linhadotempo/inventores/johann_gutemberg.htm

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/gutemberg.htm

 

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