VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (61)

13/10/2011 07:22

A vivência mediúnica de hoje é um convite para um passeio histórico, repleto de alegrias e muito sofrimento. Um passeio que nos convida para a análise da formatação do ego, das histórias que compõem a nossa história, e o que fizemos com todas estas influências.

Que possamos entender que o ser humano e as suas circunstâncias encarnatória são complexas, com o julgamento devendo ser substituído pela compreensão.

Muita luz no dia de hoje.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (61)

 

 

Retomo hoje à história do espírito que, em parte, foi relatada na Vivência Mediúnica 59 (http://www.cacef.info/news/viv%c3%aancias%20mediunicas%20%2859%29/).

No desdobramento do sono, naquela noite e em outras não consecutivas, pude vivenciar alguns aspectos da encarnação do Sr. Miguel, nome que recebeu após o batismo, ainda pré-púbere.

Acordava com algumas memórias, por vezes contendo muitas cenas muito nítidas, que foram se delineando melhor após algumas semanas. Orava e pedia aos mentores para me orientarem e esclarecerem, para que colaborasse com aqueles espíritos, principalmente com Miguelito, apelido familiar que apenas à poucos permitia a “intimidade, já mais velho e senhor de escravos. Desejava também aprender um pouco mais sobre as nuances e paradoxos da alma humana.

Na América Central, num local que identifiquei como sendo hoje a Costa Rica, reencarna no século XVII uma criança, filho de uma mestiça de ascendência indígena e espanhola. Moravam numa pequena fazenda próxima ao povoado que ficava no entorno de uma imponente fortificação marítima que protegia e abastecia uma parte da ilha, numa casa humilde, porém sem muitas privações.

Seu pai era soldado espanhol e encantou-se com a beleza da sua mãe. Voltou poucos anos depois, soube da existência de um filho e decidiu aproveitar as viagens para também comercializar viveres para o povoado que se expandia com rapidez. Mudou-se com a mãe para o povoado, morou numa casa mais confortável e teve muitos irmãos.

O pai viajava e voltava, mas tinha um tratamento rígido e distante com os filhos, embora amoroso e de postura provedora, típica da época, com sua mãe.

Distanciado dos primos e familiares da infância, era um jovem que não se adequava aos mundos que colidiam, o indígena e o europeu, o que o ressentia. Sem muitas explicações foi batizado e passou a ir às Missas com os pais, quando havia.

Miguelito temia a Igreja, tinha que observar e conter o comportamento dos irmãos, bem menores, naquele ambiente estranho a ele, escutando sermões intermináveis numa língua totalmente desconhecida. Apanhava quando as crianças aprontavam alguma inconveniência, tais como querer sair, correr, rir ou chorar.

Lembremos que as missas eram celebradas em latim, em casa ele falava uma língua indígena e nem dominava muito o espanhol. E foi no ambiente da paróquia que conhece os escravos negros, trazidos aos montes e em poucos anos para trabalhar nos campos para os senhores, que expandiam suas propriedades expulsando os índios. 

Naquela época, já não se escravizavam mais os índios, que eram considerados selvagens até que fossem catequizados, e assim, poderiam até ter alguns poucos direitos. Os que se opunham eram dizimados.

Mas os negros eram diferentes, vindos de terras de além-mar, com a pele e compleição físicas bem distintas, eram considerados como a mão de obra ideal pelos poderosos de então, como se fossem uma categoria sub-humana.

Mas, eis que mais uma reviravolta ocorre na vida de Miguel, seu pai viaja e não mais retorna, vindo a saber, muitos meses depois, que havia falecido na Espanha, onde naturalmente tinha uma outra família, católica.

A família europeia sabendo do comércio possivelmente próspero, indica alguém de confiança para vir à Colônia, assenhorar-se dos negócios. E eis que Miguel, sua mãe e irmãos ficam despojados de direitos e são praticamente expulsos da cidade.

Sua mãe vai morar nas florestas montanhosas com os parentes de ascendência indígena e leva os seus irmãos. Seu coração doía com tamanha injustiça, que não entendia, mas tinha que ficar na cidade para ganhar algum sustento e depois enviar auxílio à família.

Miguelito passa então a morar num pequeno cômodo no fundo da paróquia, cujo responsável fez questão de demonstrar para ele a sua condição de bastardo, mas que o acolheria e auxiliaria.

Passa então a trabalhar para ter a comida, o pão e um lugar para dormir, e auxilia o religioso na lida com os escravos na fazenda que se estendia por muitos hectares para plantação de cana de açúcar.

Próximo dos vinte anos, já tinha aprendido algumas palavras das línguas estrangeiras com o convívio com os africanos, e eis que surge uma oportunidade de viajar num navio negreiro. Navio que precisava atender a um pedido urgente de mais escravos e, como sabia escrever o básico, o pároco permite que acompanhasse o traficante.

Miguel vê nesse negócio uma oportunidade de libertação, pois que recebia, muito raramente, alguma moeda de pequeno valor pelo seu trabalho, e nada tinha.  Pensou que se trabalhasse nesse negócio lucrativo poderia ganhar seu dinheiro, ter uma propriedade, ser respeitado e daí ajudar a sua família. Simplisticamente divagava que se muitos ganhavam dinheiro com isso porque ele não poderia ganhar o seu também.

Daí começa sua carreira, de Miguelito sem sobrenome até o Dom Miguel, que perdurou por longos anos até um desencarne abrupto.

Quantos jovens, atualmente, têm uma trajetória semelhante, guardadas as devidas proporções?

Na próxima semana ainda continuarei com essa verdadeira saga, observando uma história reencarnatória pregressa e os aspectos motivacionais das suas escolhas.

O ser humano e as circunstâncias encarnatória são complexos, não inacessíveis, porém passíveis de uma análise calma, de uma observação acurada, onde o coletivo e o individual transitam, e o bem comum, pois este é o verdadeiro bem, é escamoteado pela ausência de uma base moral sólida.

Encerro solicitando a todos que reflitam, assim como eu mesma o fiz, sobre os seguintes pensamentos: “os fins justificam os meios” ou “os meios dignificam o fins”.

 

Muita PAZ para todos nós.

 

Francesca Freitas

11-110-2011

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