VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (64)

03/11/2011 06:56

A vivência mediúnica desta semana trata dos escândalos que estamos vendo serem apresentados pela mídia, como a morte do último ditador da Líbia.

Compreendemos que a presença de escândalos é reflexo do estágio da nosso orbe planetário, em que sua divulgação ainda funciona como instrumento de aprendizado moral.

Que estejamos fartos de sofrer com o mal, chegando a, um dia, procurar o remédio no bem.

Muita luz neste dia.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (64)

 

 

A memória é um instrumento indispensável ao aprendizado, contudo é necessário proceder a uma seleção para edificar as nossas experiências. Faz parte da sabedoria o que escolhemos para estar mais próximo à superfície, o que guardamos “a sete chaves” e nas faixas intermediárias, como num armário com pequenas e grandes gavetas retendo o conteúdo útil e descartando o que não é necessário.

É o aprendizado da vida, com as suas nuances coletivas e individuais. E, para uma observação dos acontecimentos contemporâneos, rememoramos muitas vezes episódios semelhantes do passado, e daí observamos a importância da história, com uma perspectiva mais rica.

O que aparentemente se repete, tem causas antigas que não evoluíram o suficiente, ainda não foram transformadas, daí uma mesma consequência de sofrimento e dor, pequenas e grandes guerras, com disputas ininterruptas.

 

Ouvi muitos relatos díspares acerca das imagens chocantes de líderes mortos na televisão, sendo a última do ditador da Líbia. Esse espírito se debatia com os opositores, em posição inversa à qual estava acostumado, de perseguidor implacável.

Dentre os comentários estão desde o “já vai tarde”, morreu e acabou, colheu o que plantou e etc.; observo que muitos desconhecem que a morte do corpo físico, é apenas o desencarne da alma imortal. Esse espírito ignorante das Leis Divinas se depara com as consequências de seus atos, e lembro-me das palavras do Mestre Jesus: “aquele que fere pela espada, por ela será ferido”.

 

Perguntei-me qual a utilidade de tantas tragédias expostas cruamente nas mídias, e no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VIII, encontrei esclarecimento:

“Se vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a.

Ai do mundo por causa dos escândalos, pois é preciso que eles aconteçam, mais ai do homem que o ocasionar.”

 

No sentido comum, escândalo significa toda ação que choca a moral ou os bons costumes de maneira ostensiva. Muitos escondem o mal que fazem e de que são cônscios, pensando que o que não é descoberto pelos homens é também velado à Deus. Contudo, as ações estão impressas na consciência, e esta contém o gérmen divino com as leis imutáveis. Outros evitam o escândalo porque o seu orgulho sofreria com isso, e consequentemente a consideração que pensam ter, junto à comunidade, diminuiria. Enganados por si mesmos, esperam que o desconhecimento de suas ações lhes baste para abrandar suas consciências e são, segundo as palavras de Jesus, "sepulcros caiados, brancos por fora, mas cheios de podridão por dentro; vasos limpos por fora, mas imundos por dentro".

 

No sentido evangélico, o conceito da palavra escândalo, muito mais amplo e possivelmente por isso nem sempre de fácil compreensão, é resultado efetivo do mal moral. Não é somente o que choca a consciência alheia, mas tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições humanas, toda má ação de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussões aparentes.

É preciso que haja escândalo no mundo, disse Jesus, porque os homens, imperfeitos na Terra, têm inclinações para o mal, e porque as árvores ruins dão maus frutos. Podemos entender por essas palavras, que o mal é consequência da imperfeição humana, e não que eles tenham a obrigação de praticá-lo.

 

O escândalo acontece na Terra, em processo de transição de mundos de provas expiações para mundo de regeneração, para aprendizado.

Os homens punem a si mesmos pelo contato com os seus próprios vícios - dos quais são as primeiras vítimas - e cujos inconvenientes acabam por compreender.

Quando estiverem fartos de sofrer com o mal, procurarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve, algumas vezes, de castigo para uns e de provas para outros. É dessa maneira que Deus tira o bem do próprio mal, e que os homens aproveitam as coisas más ou desagradáveis.

Se não houvesse culpados, não haveria necessidade de punição – aprendizado pela dor. Ninguém procuraria fazer mal ao próximo, e todos seriam felizes, porque seriam bons. Esse é o estado dos mundos avançados - de onde o mal foi excluído - e será o da Terra, quando houver progredido suficientemente.

 

Entra aí a divulgação do escândalo como instrumento de aprendizado moral. Aquelas pessoas que não têm na memória lúcida as informações sobre as consequências de atos vis e bárbaros, das repercussões do domínio e subjugação de outros seres humanos, podem observá-las nos jornais, na TV, na net.

Exemplifico rememorando os dias finais de Hitler, Mussolini, Sadam, Osama e muitos outros mais, fugindo, dos palácios ou dos subterrâneos do poder, acuados e traídos. Esqueceram-se das lições da história da civilização ou desconheciam que outros poderosos foram destituídos de modo semelhante. Os caçadores se tornaram presas, e o desagradável e necessário escândalo é divulgado para observarmos que todos os atos têm consequências.

 

Jesus nos mostra como nos livrarmos deste mal: “Se vossa mão é causa de escândalo, cortai-a ”.

Nesta figura de linguagem enérgica propõe a eliminação, em nós mesmos de toda causa de escândalo e para isto a reflexão interna, o conhecimento dos nossos males, vícios e limitações, seguido de coragem para realizar a poda dos apêndices inúteis. A reforma íntima exige esta atitude forte, que nos libertemos de tudo que nos pesa na bagagem: o egoísmo, o orgulho, a intolerância.

Cortar a mão significa fechar o canal de expressão que acaba por ferir o próximo e eliminar o que, em nossas vidas, nos leva a cair. Nosso Mestre nos ensina a resignificar o “escândalo”.

 

O que nos causa espanto nos emociona de alguma forma, e devemos analisar o fato com toda serenidade possível, refletindo acerca do escândalo, contextualizando-o numa perspectiva mais ampla, contemplando a história e os aspectos pessoais dos envolvidos. Daí, olhemos para dentro de nós mesmos, pedindo abertura, discernimento e ampliação das nossas consciências.

Como ensinado por Kardec, o Espiritismo se relaciona com todos os problemas da Humanidade. Seu campo é imenso e devemos encara-lo, sobretudo, quanto às suas consequências.

 

Encerro desejando a todos boas reflexões, e que a Misericórdia Divina penetre nas consciências de todos os espíritos causadores de escândalos, de maior ou menor monta, encarnados ou não, pois não lembraram que são filhos do Deus, portanto irmãos de humanidade.

 

Muita PAZ para todos nós.

 

Francesca Freitas

02-11-2011

 

Facebook Twitter More...