VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (77)

08/02/2012 06:36

 

A Vivência Mediúnica de hoje continua o estudo dos dois casos relatados na vivência da semana passada, tecendo considerações sobre a nossa sensibilidade.

Percorra, conosco, a interessante história do desenvolvimento da sensibilidade nos seres vivos e se delicie com as nossas capacidades ainda pouco exploradas, por serem pouco estudadas.

Este é convite, contamos com seus comentários e participação.

E que a sensibilidade para o amor se faça presente em toda a nossa vida.

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (77)

 

 

Trataremos, hoje, da nossa sensibilidade sutil, dando continuidade ao proposto na semana anterior, mas não sem antes tecer algumas considerações sobre a própria “sensibilidade” em geral, até alcançarmos as mais especiais ou sutis.

 

Sabemos que seres vivos têm sensibilidade, que aumenta em diversidade e graus de complexidade à medida que ascendem na escala zoológica. É ela que nos permite interagir com o meio em que vivemos e realizar trocas e transformações indispensáveis à vida.

Parto de um exemplo simples, o de um vegetal fotossensível, cuja integridade é dependente da presença de luz para realizar a fotossíntese. Há plantas que vivem em locais de maior ou menor luminosidade, procuram adaptar-se à ambientes adversos, mas todas passam pelo processo de captação da energia luminosa para realizar processos químicos, transformando substancias para sua sobrevivência.

 

Ao passar para o reino animal, observamos uma abundante variedade de sensibilidades, e uma relação cada vez mais estreita entre cada sensibilidade e um determinado estímulo, a que chamamos de especificidade. Reações cada vez mais adequadas a estímulos externos, como reação de luta e fuga, e a estímulos internos, como nos processos digestivos, ocorrem através de instintos, automatismos e reflexos.

 

Nos mamíferos, já com um cérebro mais desenvolvido, há um vislumbre de volição consciente. Os estímulos são interpretados em percepções variáveis, ou seja, podem ser associados à memória, desencadeiam emoções, já não apenas raiva, fome, sede, sexo, sono e dor.

Especialmente nos primatas, é observado o afeto, a empatia como resposta  à estímulos, o que já é uma “sementinha” da compaixão.

 

No homem acrescentamos ao córtex um vasto repertório de “interpretação de estímulos”, que permitem sensações menos lineares, tais como tristeza, alegria, prazer, paz, inquietude, curiosidade, indiferença, entusiasmo e etc. Essa interpretação dos estímulos passa a não ter, apenas, um significado mais objetivo, pois pode desencadear um cortejo de emoções, sensações, sentimentos e escolhas.

O pensar passa pelo perceber a si mesmo, aos outros e ao mundo ao derredor, daí a “razão” humana ser tão complexa. Realizamos associações, julgamentos e inferências que estão no ápice do nosso “livre-arbítrio” ou vontade.

 

O aprendizado é processado em diversos níveis, com memórias conscientes e inconscientes, e seguimos, nós humanos, com os instintos previamente adquiridos, acrescidos da razão, de outras sensibilidades, da volição e do instinto da “amorosidade”.

Como cada ser humano é único, seu repertório pessoal de interpretação das sensibilidades mais sutis irá variar de acordo com seu nível evolutivo e suas experiências prévias, inclusive de outras encarnações.

 

Todos nós temos sensibilidades “extra-sensoriais”, habilidades especiais, carismas, dons, a capacidade de perceber fatos aparentemente inexplicáveis. Dentre essas habilidades, encontramos o “insight”, “intuição”, “pressentimento”, o famoso “instinto materno” e inúmeros outros com as mais variadas denominações.

 

Quem não teve uma sensação boa ou desagradável em um ambiente especial ou ao encontrar-se com determinada pessoa?

Observaram que ao olhar para a cabeça ou região cervical posterior de alguém durante algum tempo, o observado se vira para olhar, ou “sente” que é observado, sem que tenha nenhum cone ou bastonete (nossos receptores visuais) nas costas?

 

Se sensações são desencadeadas e interpretadas é porque há uma percepção de um estímulo, evento ou energia, que nos leva à tomar diversas atitudes em relação ao mesmo.

A natureza é sábia e evolutiva, portanto, uma aquisição nas percepções ocorre para o nosso aprendizado.

Mas cada um escolhe como e quando vai aprender, porque a volição é soberana, a educação dos instintos e das percepções, passa necessariamente pelo conhecimento, estudo, reflexão e experimentação.

A especificidade à sensibilidade tal ou qual pode ser desenvolvida, utilizada sabiamente ou permanecer latente, inexplorada, presente e desconfortável.

 

Como a vida depende de outras vidas, realmente temos a agradecer ao Criador. Nós, humanos feitos de Luz, dependemos literalmente de Luz que para sobreviver, pois no fim da cadeia alimentar estão as plantas que realizam a fotossíntese.

 

Quanto à mediunidade, a nossa capacidade de relação e comunicação com os espíritos, o estudo é a ferramenta adequada.

Iniciando com Kardec, no Livro dos Médiuns, seguem trechos da Introdução:

 

“Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência...

Natural é, que entre os que se ocupam com o Espiritismo, o desejo de poderem pôr-se em comunicação com os Espíritos. Esta obra se destina a lhes mostrar o caminho, levando-os a tirar proveito dos nossos longos e laboriosos estudos, porquanto muito falsa ideia formaria aquele que pensasse bastar, para se considerar perito nesta matéria, saber colocar os dedos sobre uma mesa, a fim de fazê-la mover-se, ou segurar um lápis, a fim de escrever.

Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade.

As regras da poesia, da pintura e da música não fazem que se tornem poetas, pintores, ou músicos os que não têm o gênio de alguma dessas artes. Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais.

O mesmo sucede com o nosso trabalho.

Seu objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de modo útil, quando ela exista. “

 

Por hoje, encerro, trazendo novas reflexões na próxima semana.

 

Muita Paz para todos nós.

Francesca Freitas

07-02-2012

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