VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (78)

16/02/2012 07:47

“Oh céus!, Oh vida!, Oh azar!, Porque comigo! ?”

Parece que esta frase é mais comum do que queremos acreditar.

Ocorre que a Vivência Mediúnica de hoje vai à busca das razões de uma existência tão carente. É fato o que Lacan já afirmava: “O homem é um animal insatisfeito”.

O texto de hoje nos alerta que o ego não é capaz de preencher estas nossas insatisfações, sendo necessário o despertar para além do ego infantil.

Esperamos que todos apreciem, e que a reflexão se faça presente em nosso dia.

Muita paz.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (78)

 

 

Teço hoje comentários sobre a fala da Sra. X, cujo relato consta na VM (76), como exemplo de um ser poliqueixoso e com comportamento vitimizante. A maioria de nós já se deparou com pessoas agarradas à esse padrão, encarnados e desencarnados.

Será que já tivemos um comportamento semelhante em uma encarnação prévia?

Num primeiro encontro, ouvimos uma lista sofrida, com maior ou menor paciência e compaixão, mas, se o padrão se repete ininterruptamente, principalmente com uma convivência estreita, a relação pode se tornar difícil ou tumultuada.

 

Em períodos de stress, doença e de maior fragilidade, podemos adotar um comportamento infantil, querendo o colo, a proteção, a escuta, o cuidado.

Já tive desses momentos de querer voltar ao bem protegido ventre materno, aos braços calorosos do pai. Essa “fuga” ou viagem interna pode ser reconfortante, contudo se for mantida como um padrão de que "deverei ser acolhido (a) sempre e em todas as minhas demandas", será alienadora.

A construção de um ego harmonizado e consciente é trabalho a ser construído ao longo de toda encarnação.

 

A insistência de muitos espíritos em colocar-se no papel de carentes de atenção e compreensão alheias gera sofrimento para as pessoas com quem que se relacionam, além de uma cristalização mórbida.

Quem gosta de conviver com alguém que canta sempre o “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor?”, lembrando a música cantada por Dolores Duran?

Quem gostaria de ter, sempre ao seu lado, o personagem Hardy, a hiena, de um popular desenho animado dos anos 80, Lyppi e Hardy, com seu bordão: - “Oh céus!, Oh vida!, Oh azar!, Porque comigo! ?”

Na TV e por breves minutos é engraçado, mas, com o tempo, se torna chato, desconfortável.

Podemos ter alguns “momentos de hiena”, passando do choro ao riso choroso, e daí para dispersão do conflito ou sofrimento. Mas precisamos estar atentos para perceber o nosso próprio comportamento, e daí sairmos mais leves ao detectarmos o estado que nos encontrávamos. 

 

Para compreender os processos de edificação de uma psique equilibrada, ultrapassando a estagnação infantil, recorro à Mestra à Joanna de Angelis (grifos nossos):

 

“O ser humano é o mais alto e nobre investimento da vida, momento grandioso do processo evolutivo que, para atingir a sua culminância, atravessa diferentes fases que lhe permitem a estruturação psicológica, seu amadurecimento, sua individuação, conforme Jung.

Ao atingir a idade adulta deve estar em condições de viver as suas responsabilidades e os desafios existenciais.

É comum, no entanto, perceber-se que o desenvolvimento fisiológico raramente faz-se acompanhar do seu correspondente emocional, o que se transforma em conflito, quando um aspecto não é identificado com o outro.

Em tal caso, o período infantil alonga-se e predomina, fazendo-se característica de uma personalidade instável, atormentada, insegura, depressiva ou agressiva, ocultando-se sob vários mecanismos perturbadores.

O seu processo de amadurecimento psicológico, portanto, pode ser comparado a uma larga gestação, cujo parto doloroso propicia especial plenificação.

 

Do ponto de vista tradicional, apresentam-se os fatores hereditários, psicossociais, econômicos, que colaboram positiva ou negativamente para o desenvolvimento psicológico, quase sempre contribuindo para a preservação do estado de imaturidade.

 

Graças à sua constituição emocional e orgânica, na vida infantil o ser é egocêntrico, qual animal que não discerne, acreditando que tudo gira em torno do seu universo, tornando-se, em conseqüência, impiedoso, por ser destituído de afetividade ainda não desenvolvida, que o propele à liberdade excessiva e aos estados caprichosos de comportamento.

Passado esse primeiro período, faz-se ególatra, acumulando tudo e apenas pensando em si, em fatigante esforço de completar-se, isolando-se socialmente dos demais ou considerando as outras pessoas como descartáveis, cujo valor acaba quando desaparece a utilidade, de imediato ignorando-as, desprezando-as...

 

A imaturidade expressa-se através da preservação dos conflitos, graças aos quais muda de comportamento sem liberar-se da injunção causal, que são a frustração, o desconforto moral, a presença da infância.

Para ele, o sentido da vida permanece adstrito ao círculo estreito da aquisição de coisas e à sujeição de outras pessoas aos seus caprichos. Torna-se ditador impiedoso, sicário implacável, juiz cruel.

Proporciona-lhe prazer mórbido a dependência das massas e dos indivíduos particularmente, fruindo, de maneira masoquista, do prazer na dor própria ou alheia, desenvolvendo a degenerescência afetiva até o naufrágio fatal...

Quem aspira por ser amado mantém-se na imaturidade, na dependência psicológica infantil, coercitiva, ególatra.

 

A afetividade é o campo central para a batalha entre as diversas paixões de posse e de renúncia, de domínio e abnegação, ensejando a predominância da doação plena.

 

No amadurecimento afetivo, o ser esplende e supera-se.

O próximo passo é o amadurecimento mental, graças à compreensão de que a vida é rica de significados e o seu sentido é a imortalidade.

 

Com essa identificação alteram-se os interesses, e as paisagens se clareiam ao sol da razão, que consubstancia a fé no homem, na vida e em Deus.

 

O amadurecimento mental, que se adquire pela emoção e pelo conhecimento que discerne os valores constitutivos da filosofia existencial, amplia as perspectivas da realização completadora.

Somente após lograr o amadurecimento afetivo, consegue o mental, por encontrar-se livre dos constrangimentos e das pseudonecessidades emocionais.

 

A razão proporciona a superação do fenômeno infantil da ilusão, da fantasia, responsável pelo sofrimento, em se considerando a impermanência e todos os acontecimentos e aspirações físicas.”

 

Do livro “O Ser Consciente”, capítulo III, psicografia de Divaldo Franco.

 

 

Muita Paz para todos nós.

Francesca Freitas

15-02-2012

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