VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (85)

04/04/2012 13:17

 

Na Vivência Mediúnica de hoje, continuamos o estudo do amor, através das experiências nas vidas de Manolo e Aline.

Acompanhem todo o sofrimento íntimo em uma época em que os relacionamentos não se resumiam a questões de escolha.

Talvez, seja uma forma de refletirmos sobre as nossas “escolhas”, refletirmos se são verdadeiras escolhas e o que nos motiva em cada uma delas.

Enfim, toda história apresentada aqui têm o único objetivo de nos provocar para o autoconhecimento.

Provoquem-se.

Muita paz no dia de hoje.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (85)

 

 

Prosseguindo com a história de Manolo e Aline, da VM (84), relato, hoje, um encontro pregresso ao relatado na Vivência anterior, sob a perspectiva de Aline.  Fiquei curiosa e instigada com o relato daquele espírito e naquela noite, no desdobramento do sono, colhi alguns esclarecimentos importantes para um contato posterior com Manolo.

Relato a minha percepção desta história.

 

Observei, numa área descampada, próxima a um bosque, com várias tendas, um acampamento de ciganos. Estava localizada nos arredores de uma grande cidade do século XVII, de onde vislumbravam luzes noturnas a piscarem. Havia muitos cavalos e alguns pequenos animais em cercados. Era uma noite clara, com poucas pessoas andando entre as tendas, pois a maioria estava ao redor de uma fogueira, como se celebrassem uma pequena festividade, conversando e cantando alegres.

Numa das tendas estava a jovem, que identifiquei como Aline, com cerca de 16 ou 17 anos. Muito bela, de traços finos, com pele clara e olhos escuros profundos, conversava com sua mãe, cujos traços eram marcantes, indicando uma cigana de origem turca.

 

Sua mãe, relativamente jovem, tinha um aspecto sisudo e sofrido, pois Aline foi fruto de um amor proibido com um cidadão que não era cigano, e, se não fosse por seu tio, um dos chefes daquele clã, não seria aceita ali. Ainda muito moça, apaixonou-se por um rapaz, aldeão de um país vizinho onde acampavam. Poucas semanas depois, os apaixonados adolescentes fugiram juntos, refugiados em florestas, sobrevivendo de caça, ainda farta naquela época.

Aline nasceu num bosque, mas, com poucos meses de idade, seus pais foram encontrados. Seu pai foi morto pelo comportamento desonroso com uma tribo cigana e sua mãe não se perdoou por isso. Viveu uma história de amor rápida e trágica, que a marcou para o resto da vida.

A mãe de Aline, à despeito de ser bem acolhida pelas mulheres da tribo, sentia-se, de algum modo, discriminada e envergonhada, por isso comportava-se de modo subserviente e, cabisbaixa, passava muito tempo em tarefas simples no acampamento, trabalhando muito para toda a tribo. Quando mais jovem, seu irmão lhe arranjou alguns pretendentes, que sempre recusava, até desistir e acatar o seu celibato. 

 

Naquela noite a mãe procurava dissuadir Aline a aceitar, de bom grado, o casamento que o tio lhe arranjara, pois, já há alguns anos, estava “prometida”, num arranjo de negócios e uniões entre tribos ciganas. O casamento só não tinha acontecido porque disputas e guerras regionais impediram a viagem e o encontro dos clãs.   

Muito protegida pela mãe e relativamente afastada das atividades habituais de consulência, em troca de moedas, que as tias e primas faziam pelas cidades e vilarejos, Aline estava encantada com a possibilidade de conhecer uma grande cidade. Aquiesceu à solicitação materna quanto ao casamento, porém, em troca, queria ir até a cidade, o que foi consentido pela mãe, com um certo contragosto. A mãe jogou suas cartas, que confirmaram seus pressentimentos, e implorou a Aline para tomar muito cuidado, para não ser tentada por nenhum homem.  Nesta noite revela a Aline toda a verdade sobre seu nascimento e sua história trágica de amor, temendo pela filha, para que não repetisse aquela “loucura”.

 

Poucos dias depois Aline vai à movimentada cidade com a família e, enquanto os homens negociavam numa espécie de grande feira ao ar livre, ela passeava com as primas e tias pelas barracas, encantada com tudo que via, com as roupas e adereços, as línguas diferentes da que se falava, e construções imponentes grandiosas ao longe. E foi num momento de distração que cruzou o olhar com um jovem, poucos anos mais velho, com um tipo físico bem diverso, de olhos muito claros a mirá-la.  Ele aproximou-se dela e as tias, ao perceberam, ofereceram-se para “ler sua mão”. Os dois se olhavam, enquanto a senhora cigana contava, numa língua que ele não entendia bem, um futuro de promissor de aventuras e fortuna. O jovem pagou a “leitura da sorte” com uma moeda mais valiosa que o costumeiro para isto, apenas para levar mais tempo com a “bela ciganinha”, diferente das demais.

 

Voltaram em dias consecutivos à feira, e o jovem e Aline passaram a encontrar-se sorrateiramente, enquanto as tias e primas ocupavam-se dos negócios. Daí surgiu o enamoro e paixão, beijos roubados e corações palpitantes, temendo o risco de serem flagrados. Marcaram então para encontrarem-se no bosque, próximo ao acampamento, nos momentos em que dizia a família que ira pegar lenha ou frutas silvestres.

Os encontros, já praticamente diários, foram seguidos de muitas juras de amor eterno, no calor da aventura e dos hormônios da juventude.

Mas, o tempo passava e eis que recebem a notícia que o clã amigo estava chegando com o futuro marido de Aline.

Muito triste, conta ao jovem do seu “destino marcado”, que não poderiam mais encontrar-se. Inconformado, ele a convence de fugir com ele para um vilarejo onde tinha parentes, que iria ”tomar conta” dela,  e casariam mesmo que sua família não o apoiasse.

 

A fuga foi o prenúncio do final. No tal vilarejo, os parentes nem queriam uma “cigana” na sua casa. Por isso, a cigana passa, subjugada, a tentar aprender outros costumes, vestir outras roupas, falar outra língua. Aline vai perdendo a espontaneidade e a alegria, uma vez que estava acostumada a uma vida ao ar-livre, à celebrações na natureza, às festas. Começa a ter muita saudade dos parentes e da mãe, pois não os via há quase dois anos. Daí, os desentendimentos frequentes entre ambos e a insistência dos parentes para que Manolo “arranjasse uma boa moça” para casar, sugerindo que a deixasse, os afasta cada vez mais.

 

É o momento em que Aline, torturada pela lembrança da mãe e pela possibilidade de ter lhe causado tanto sofrimento, diz que iria procurar seu povo para ter notícias, pois soubera que há muito tinham levantado acampamento. Manolo, em resposta, disse que seria o fim da história de ambos. Não a aceitaria de volta.

Com o ideal do amor romântico já esmaecido, e infeliz a despeito de ainda amá-lo, Aline lhe comunica da sua decisão de procurar os parentes. De alguma maneira Manolo sentia-se liberado da obrigação de cuidar dela, e apenas reafirmou que não a aceitaria de volta. 

Aline vai à procura dos ciganos, sem êxito, pois eram muitas tribos a viajar pela Europa naquela época, e de vilarejo em vilarejo, peregrina sem dinheiro e direção. Refletindo melhor, pensa, também, que caso encontrasse a família, iriam exigir dela que dissesse onde Manolo estava, e que o matariam, como fizeram com seu pai. Ao mesmo tempo, tem vergonha de voltar a procurá-lo, e principalmente medo de que ele não a aceite de volta.

Com tantos dilemas, sofrida e sozinha, decide “entregar-se” àquele destino, e acaba prostituindo-se para sobreviver. Cada vez mais deprimida, desencarna com menos de trinta anos, vítima de doença infectocontagiosa, praticamente mendigando nas ruas.

Manolo constitui uma família, tem bom tino para o comércio e prospera nos negócios. Já na madureza, volta a pensar muito em Aline, saudoso e curioso quanto ao seu paradeiro, desencarna pensando naquele amor de juventude.

 

Encerro, hoje, deixando minhas reflexões pessoais para depois, já que na próxima semana relato o último encontro que tive com Manolo.

Muita PAZ para todos nós.

03-04-2012

Facebook Twitter More...