VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (88)

19/04/2012 07:47

 

Nas histórias de Manolo e Aline identifiquei a presença de muitos “amores” entre ambos e nas suas relações familiares. Esses sentimentos e emoções transformam-se e percorrem jornadas acompanhando os personagens.

A vivência mediúnica de hoje continua o nosso Estudo do Amor, ofertando elementos para que identificamos o amor que participamos, comungamos, em cada estágio de nossas vidas.

A interpretação dos sentimentos amorosos é fundamental no autoconhecimento. Ferramenta útil para diagnosticar o afeto saudável do amor que adoece.

A proposta portanto é um mergulho em nossos sentimentos para saiamos mais banhados do que verdadeiramente somos.

Muita paz e amor para todos.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (88)

 

Nas histórias de Manolo e Aline identifiquei a presença de muitos “amores” entre ambos e nas suas relações familiares. Esses sentimentos e emoções transformam-se e percorrem jornadas acompanhando os personagens.

Para conhecer esses “amores”, por vezes conflituosos, e reconhecê-los no nosso dia-a-dia, retomamos a VM (83), tecendo algumas observações acerca da sua variada tipologia.

A interpretação dos sentimentos amorosos é fundamental no auto-conhecimento. Ferramenta útil para diagnosticar o afeto saudável do amor que adoece.

 

Falamos anteriormente do amor Eros, cujo significado distanciou-se dos conceitos iniciais. Esse amor pode estar associado à sensualidade, atração carnal, admiração à beleza e ao belo, e ao conceito do romantismo. 

Deriva daí o “amor platônico”, romântico, porém apenas contemplativo, contudo com um singificado diferente, que não é apenas um detalhe, pois lhe modifica o sentido ao impor uma barreira física.  Platão não restringiu o amor, mas, popularmente, tem-se a ideía que esse amor se esvairia se fosse realizado, portanto bem paradoxal, pois que seria perfeito, mas impossível.

 

Mas os filósofos gregos e posteriormente os cristãos já falavam em muitos outros tipos de “amor”, que aqui seguem.  

O amor em Philos ou Philia associa-se à amizade, ao afeto respeitoso, à lealdade e a consideração pelo outro. Em textos antigos é pontuado como um amor virtuoso, à alguém, a um grupo ou atividade, e até mesmo à propria Terra. Requer cuidado, atenção e certo grau de sintonia.

É tambem utilizado no Novo Testamento, nas versões gregas mais antigas, junto com “Ágape” para designar o amor.

 

Tal como o amor em Eros, o Philia tambem tem gradações e nuances, podem transformar-se e andarem juntos. Mas quando separam-se, ou adoecem, ouvimos ou percebemos, em nós mesmos, observações como estas, que exponho: - Gosto muito de fulano, mas não o admiro como pessoa; - Cicrano já não é mais meu amigo mas ainda o considero; - Admiro tal ponto ou qualidade em alguém, embora não tenha simpatia por ele!

 

Não tem problema, somos mesmo seres complexos e interessantes.

Frases e colocações feitas no calor da emoção ou na completa distração podem soar, aparentemente, sem sentido, mas, aprendemos que podemos gostar ou ter afeto, sem necessariamente admirar o carater ou a virtude no outro. Nestes dois amores as possibilidades do outro ser “meu espelho” são grandes.

 

Há um amor inicial, que na infância manifesta-se pelo amor do recém-nascido pela sua mãe. Dela tira a nutrição, o leite. Vem daí o amor devorador, Phornéia, o amor do bebê por sua mãe, natural, portanto, nesta fase, em que é absolutamente dependente do outro para sobreviver. 

Caso não haja transformação no sentido de maturação desse amor, sua persistência irá gerar o amor devorador, que suga o outro, patológico.

Quando vemos em músicas e na mídia em geral referências ao amor pornéia, há uma associação ao alimento: delicioso, gostoso. É o amor que consome, sorve o outro buscando para si uma energia que lhe falta.

Pode se iniciar uma relação com outro ser, mas, dificilmente, sem a inclusão do “eros -admiração” e “philia-amizade e respeito”, irá perdurar. Frequentemente, esse “amor voraz” está associado à distúrbios sexuais, pois carente, “faminto”, busca uma saciedade prazerosa, cuja raiz desconhece. Daí vem as palavras pornografia e pornográfico, com um sentido meio distorcido quando não conhecemos a sua etimologia.

Algumas pessoas podem deslocar essa energia consumista, não saciada, da esfera sexual para os bens de consumo, jogos, ou outros vícios como a gula, em que o indivíduo preso nesse amor infantil e voraz se identifique.

Não raro está associado à instabilidade afetiva, arrogância e agressividade, mesmo que reprimida.

Seus traços junto com philia podem ser observados no amigo exclusivista, no ciumento, na própria família. Não aprendeu ainda a dividir por isso é possessivo.

Mas, todos passamos por ele, e não há nada demais em senti-lo num belo prato da refeição predileta. Atualmente, já divido meu prato de comida e deixo alguém provar da minha sobremesa, mas nem sempre foi assim.

 

Há ainda mais algumas palavras quem derivam do grego arcaico ou foram acrescentadas mais recentemente, em cujos conceitos, procurarei ser breve, e seguem abaixo:

 

O amor fraternal é um sentimento dito “natural” numa família, como um afeto quase que obrigatório imposto pela convivência. Pode ser extendido e associado à philia.

 

Énnoia está associada a um amor generoso, associado à doação e até mesmo devotamento. Pode também estar relacionado à libido, como propulsor da realização de uma característica ou dom, e ser parceiro do Eros. Se adoecer fixa-se numa compulsão ou cobrança.

 

Storgué está relacionado ao sentimento de ternura. Há um bem querer enternecido, próximo da compaixão.

 

A gratidão é uma forma de amor, do grego Kháris, e pode manifestar-se em vários graus de plenitude, para poucos, para muitos, para a natureza, para Deus.

É a parceira de todos os tipos de amor acima, principalmente quando desperta phornéia.

 

Encerro hoje com Pathé, que estava inicialmente associada a um estado amoroso doentio, do sofrimento apaixonado, possessivo. Derivou as palavras patologia e paixão. Mas, pode também ser uma forma melhorada de pornéia, aprendendo com a paixão que consome, a incluir o outro com outra percepção.

 

Na próxima semana continuarei com o tema, falando de Ágape, e de mais alguns amores, pedindo a todos os leitores que gostaram do tema para que se observem, sintam as diferentes sensações amorosas que temos durante apenas um dia, e do quanto podemos transformá-las ao serem percebidas e aceitas.

 

O pequeno exercício é identificar em que nível ou tipo de amor estava o autor da frase, naquele momento em que a enunciou, e se a enunciou para apenas uma pessoa, para muitas ou para a humanidade. Possivelmente escreveram mais frases com outras nuances sobre o mesmo tema.

 

“O amor é como a criança: deseja tudo o que vê”.  Willian Sheakspeare

 

“O amor, para durar, tem de ser também confiança, também estima. Isto é, deve adquirir algumas das propriedades da amizade”.   Francesco Alberoni

 

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.

Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”  Fernando Pessoa

 

“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”.  Friederich Nietche

 

“ O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros."  Chico Xavier

 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

19-04-2012

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