VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (89)

26/04/2012 06:29

 

Dando continuidade à interpretação dos estados amorosos, a Vivêcia Mediúnica de hoje comenta sobre o amor em ágape.

Percorra conosco a história da palavra amor e os percalços das suas traduções.

Deixem se banhar pelos ensinamentos que a própria etimologia da palavra pode nos provocar, sempre analisando o nosso referencial de amor: Jesus.

Capacitemos-nos, pelo estudo, ao retorno ao Mestre Jesus e ao seu AMOR por todos nós, quando nos diz, em João 15:12:  “O meu mandamento é este:  Que vós ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

Um dia de muito amor para todos.

 

  

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (89)

 

Dando continuidade  à  interpretação dos estados amorosos,  comentarei sobre o amor em ágape.  Em grego antigo está associada a uma amorosidade mais ampla, como um “gostar” destituído de atração carnal, de consideração elevada, imbuído de plenitude e satisfação.

Foi utilizado para designar sentimentos em relação a uma boa refeição, a afeição de uma criança, uma estima especial entre amigos ou dispensada à alguem que se admire muito.

Pode conter elementos do eros e do philia, mas se aproxima mais de storgué e de kharis, pois é desinteressado, gratuito e enternecido, prescinde de reciprocidade, portanto generoso.

 

Lembremos que os textos do Novo Testamento sofreram muitas traduções, do aramaico falado por Jesus e de outras linguas hebraicas arcaicas até o grego, daí para o latim e as diversas linguas atuais; portanto nas versões em grego antigo das escrituras haviam diversas palavras para descrever os “amores”,  com melhor identificação desses estados amorosos, que foram resumidos para uma única palavra, esse “amor” que aparece nas versões contemporaneas.

 

Os gregos davam muita importancia à palavra e ao conceito de verdade. O reducionismo na terminologia, que já dificulta a compreensão, será acrescido de outros fatores para complicar o entedimento dos amores, quando os filosofos cristãos e os católicos passaram à acrescentar, a essa mesma palavra, mais e mais significados.

 

No antigo testamento, o amor, muitas vezes, pode ser traduzido por respeito, estima, condideração, paixão e, até mesmo, medo, dentre outros significados. Já no Novo Testamento, outros estados amorosos são introduzidos com as preleções e ações do Mestre Jesus. 

O conceito do sacrifício amoroso, do sacro-ofício, fica associado também com o autosacrifício, do total compromisso com uma causa sagrada, que, para o Mestre, é de escolha consciente e lúcida.

Os primeiros comentadores dos textos cristãos expandiram a definição do ágape para abranger o ato amoroso da santa missão e do autosacrifício em favor da pessoa  ou pessoas amadas, mas relacionados de algum modo com a Divindade. Há, nesse momento, uma modificação na noção de sofrimento, do sofrer que favorece aos demais, diferente da paixão em pathos, pois esse estado amoroso supera ou suporta a dor por caridade. Tem a esperança como aliada na sua causa, contem a fé como certeza da transitoriedade do padecimento.

 

Fiz um breve exercicio de ler alguns trechos das Escrituras substituindo a palavra amor pelas similares gregas, ou por outras, como respeito, afeição, amizade, gostar, admirar, querer e etc, e o texto ficou, para mim, muito mais lógico em certas passagens.

 

Com o passar do tempo e surgimento de diversas teologias, o amor em ágape passou a ter o conceito de “incondicional”.  Aí a coisa se complica, pois que o suposto incondicional não é destituído de toda uma ética embutida, portanto, está sim sujeito às demais leis morais.

Muitos o consideram como um amor tão perfeito, que nós, simples mortais, não o teríamos, portanto distanciado da realidade objetiva e passível de ser encontrado em estados devocionais puros ou nos mundos celestes. Seria como o amor do Cristo e dos Espíritos elevados para conosco. Mas será que não podemos ter esse amor tambem?

 

Creio pessoalmente em vários estágios do amor em ágape, passíveis de alcançar sua plenitude, mesmo que, de duração determinada, curta.

É um estado amoroso que eleva, clareia, ilumina e nos preenche nos momentos mágicos da sua presença. Generoso, é caridade, e não pede, doa!

Satisfaz porque é partilhado e ressoa na fraternidade humana. 

 

Retorno ao Mestre Jesus e ao seu AMOR por todos nós. Em João 15:12, diz: “O meu mandamento é este:  Que vós ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

 

Pergunto como nos amou, e vejo que “não fez qualquer coisa” por amor.

Ensinou-nos que essa palavra não pode ser usada como justificativa para qualquer ato que fira as Leis de Deus, portanto o conceito de incondicional, nesse contexto não se aplica. Mas, é aplicado em referência à Sua própria doação, desinteressada do resultado, da aprovação alheia, do pagamento material, do favorecimento ou do aplauso mundano.

Amou-nos eticamente, demonstrando com seus atos e palavras de conteudo moral elevado, a dicernir e desaprovar o mal. Amor proativo, não é condescendente com o desrespeito, portanto educa, ensina, diz sim e não, revela o caminho, mas não nos obriga a seguí-lo. Não transgride as leis Divinas, coerente e inclusivo, extende-se sobre toda a humanidade.

 

Hoje em dia, vemos muito esta palavra “amor”, como escudo para outras questões, incluindo o egoísmo manipulador. Que tipo de sentimento amoroso alguem tem quando diz que faria “qualquer coisa” por amor?

Particularmente me questiono o que está imbutido nessa pseudo-premisssa, pois pode ser que advenha de uma falácia escondida.

 

Esse é um nível de amor em ágape para ser aprendido, o Amor de Jesus, e temos praticamente toda a eternidade para aperfeiçoá-lo.

Para mim, enquanto evoluo, já estaria de bom tom se conseguisse “Amar ao proximo como a mim mesma”, com a mesma qualidade ética que me autodispenso.

E nessa busca da integralidade amorosa, convivendo com amores diversos em qualidade e quantidade, encerro com alguns trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, dos Capítulos XI e XII:

 

"Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor.

Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa.

Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes, a inércia e a despreocupação.

Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. – Paulo, o apóstolo. “(Paris, 1860.)"

 

O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. – Lázaro.” (Paris, 1862.)

 

“ Disse Jesus: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos.” Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação?

Não; é a Humanidade inteira.

Nos mundos superiores, o amor recíproco é que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a realizar em breve sensível progresso, verá seus habitantes, em virtude da transformação social por que passará, a praticar essa lei sublime, reflexo da Divindade.

Os efeitos da lei de amor são o melhoramento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre.

Os mais rebeldes e os mais viciosos se reformarão, quando observarem os benefícios resultantes da prática deste preceito: Não façais aos outros o que não quiserdes que vos façam; fazei-lhes, ao contrário, todo o bem que vos esteja ao alcance fazer-lhes.”

Amados irmãos, aproveitai dessas lições; é difícil o praticá-las, porém, a alma colhe delas imenso bem.– Fénelon.” (Bordéus, 1861.)

 

“Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude.

Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas idéias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo.

Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deva estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de difícil prática, impossível mesmo, é apenas por entender-se falsamente que ele manda se dê no coração, assim ao amigo, como ao inimigo, o mesmo lugar.

Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento, à razão cabe estabelecer as diferenças, conforme os casos.

Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contacto de um amigo.

Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem.

                                                                                                                              Francisco Xavier. (Bordéus, 1861.)

 

Muita PAZ para todos nós!

Francesca Freitas

25-04-2012

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