VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (97)

28/06/2012 14:05

 

A Vivência Mediúnica de hoje questiona se “soldado mandado tem culpa” com relação as ordens que cumpre.

Dando continuidade ao relato da semana passada, retomamos a história do Espírito que sofrera inúmeros abortos, relatado na semana passada, contudo numa encarnação pregressa. 

Um encarnação em que nosso amigo não passava de um “soldado mandado”. Lindo perceber que a consciência sempre nos convida para a reflexão de todas as nossa atitudes, inclusive as ordens cumpridas.

Muita paz para todos.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (97)

 

Dando continuidade ao relato da semana passada, retomamos a história do Espírito que sofrera inúmeros abortos, relatado na semana passada, contudo numa encarnação pregressa. 

Visualizamos uma pequena área descampada e lúgubre, com uma vala aberta no chão escurecido, com um monte de terra ao lado. Havia um Senhor de trinta e poucos anos, com um fardamento de soldado, desgastado e sujo, que era encarregado de enterrar os cadáveres. Observei, no seu rosto cansado, o desgosto de estar ali, trabalhando como “coveiro” do exército, e não na frente de batalha ou em outros serviços, sentindo-se um “soldado raso”.

Pegava os corpos, que chegavam em carroças improvisadas, amontoados, e os jogavam na vala, arrumando-os, de modo a reduzir o espaço e o volume de terra para cobri-los. Por isso era conhecido pela eficiência e rapidez.

Num dado momento, estava já a jogar terra nos corpos, quando alguém se moveu e um gemido se fez ouvir. Ele olhou e fingiu que não viu. Continuou o procedimento, de modo apressado, até encher toda a vala, impaciente, e com certa raiva. Acabou o serviço e assumiu um olhar de vitória cruel.

Nessa hora, lembrou de diversos supostos cadáveres que enterrou, ainda com vida, e foi rememorando. Visualizou, como fotos em uma galeria, rostos com expressões aterradoras, olhares de desespero e tristeza, daqueles que ainda estavam vivos e que ele, para não mandar ninguém de volta, ignorou. Não forneceu nenhum tipo de ajuda ou alívio, além de demonstrar uma expressão de impaciência quando isso ocorria.

Daí voltou-se para mim e disse:

“- Porque vocês estão me lembrando disso?

Eu fiz o que era certo. O que queriam que eu fizesse? .....Eles já deveriam estar mortos!

Não tenho culpa se alguém foi incompetente. Deviam ter visto isso antes de mandarem eles para lá. Não tinha ordens para matar, e eu tinha que fazer o serviço rápido.

Eu cumpria ordens, por isso não tenho culpa.

Como eu podia salvar alguém que já estava meio-morto?”

 

A sua consciencia pesou de alguma maneira e, antes mesmo que eu fizesse algum comentário, retomou sua fala:

- “Nesse trabalho eu tinha que ser indiferente. Impiedoso....entende? Não diga que eu não tenho razão, não.”

 

Pedi-lhe para consultar seu coração e sua consciência, envolvendo-o em compaixão. Tentou modificar sua postura, mas não conseguiu dissimular toda a sua arrogancia, dizendo, com certa violencia na voz:

- “Já sei, isso aí é para eu lembrar, mas o que fizeram comigo é pior. Eu tenho ódio deles, mas eu quero viver!”

 

Retornou ao estado de raiva e indignação, fazendo com que os Mentores amigos aplicassem passes. Passados alguns instantes, lembrou-se de um dos abortamentos que sofreu. Uma das vítimas do passado ia acolhê-lo por mais um tempo, mas, de algum modo, não conseguiu. Tive a intuição de que a sua psicosfera, tão densa ainda, provocou uma espécie de rejeição, e não conseguiu sobreviver naquele ambiente pacificado.

 

Pedi-lhe para pensar a respeito, e lhe oferecí abrigo na nossa Casa de Caridade, onde poderia ser acolhido, tratado e esclarecido. Ele não acatou a sugestão de imediato, porém eu lhe disse que aquela era uma oportunidade ímpar, pois muitos espíritos estavam tendo uma das últimas oportunidades para encarnar no planeta.

Aceitou pensar a respeito, demonstrando um desconforto interior, a “crise de consciência” iminente, e me perguntou como seria este lugar, já meio sonolento.

Não tive como responder, mas sei que já via os trabalhadores desencarnados da Casa o acolhendo, sentindo que suas questões seriam respondidas no devido tempo. O observei adormecer.

 

Não sei quais as possíveis escolhas desse Espírito, muito apegado à animalidade inferior e que não desenvolveu, ainda, o instinto do Amor.

Esqueceu-se que estava vivo, sem uma noção racional da imortalidade da alma, que prescinde ao corpo físico. Paradoxalmente, sabia da sua condição de “alma”, como um morto que procurava a vida que ele tanto desrespeitou.

A insistência deliberada em não responsabilizar-se por seus atos embotou sua consciência. Sabemos que um erro não justifica um outro, e daí pode se incorrer numa derrocada moral infeliz.

As trangressões éticas que cometeu, dentro da lógica contextual do momento em que vivia encarnado, serão ponderadas por ele mesmo, e com o auxílio dos admiráveis Espíritos Abnegados da Luz, que aqui estão para nos orientar. A prestação de contas chega, mais cedo ou mais tarde, e a Justiça Divina é o chamado para o crescimento interior, inevitável tal qual a Evolução.

Importante lembrarmos que a Misericórdia Divina a todos alcança, até mesmo aos que dela duvidam, e esta foi uma preciosa lição para mim mesma, como espero que esta vivência colabore com uma reflexão mais profunda em vocês, caros leitores.

Daí uma questão genérica, pode ser normótica ou não confortável quando dissecada, como na famosa frase: “soldado mandado não tem culpa?”

 

E para finalizar, um trecho do Evangelho segundo o Espiritismo, do capítulo XI, que nos exorta a consciencia e o livre-arbítrio:  “Caridade para com os criminosos”

 

14. A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua doutrina. Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei.

Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.

Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?

Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.

Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade.

Não vos cabe dizer de um criminoso: “um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte que lhe infligem." Não, não é assim que vos compete falar.

Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão.

Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra.

Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé.

E tanto vosso próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e orai por ele.

                                                                                                            Elisabeth de França. (Havre, 1862.)

 

 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

27-06-2012

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