VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (98)

05/07/2012 08:19

 

Depois de refletirmos acerca do sofrimento nas dimensões espirituais, não podemos esquecer que eles são da mesma natureza dos sofrimentos terrenos. Portanto, é necessário um aprender no viver, aqui, agora.

Neste aprendizado, a busca pela PAZ é uma constante. Acalma, tranquiliza, é esperançosa e de difícil tradução verbal, pois que é um “estado de união”, coração e mente equilibrados, como em expansão.

Para compreender mais sobre a Paz, o Momento de Luz de hoje recorta trechos de um belíssimo texto de Uberto Rohden, extraído de “O Sermão da Montanha”.

Caminhemos para a nossa Paz.

Paz.

 

 

VIVÊNCIAS MEDIÚNICAS (98)

 

 

Depois de refletir acerca do sofrimento nas dimensões espirituais, observo que os sofrimentos, diversos e multicausais, são muito semelhantes nas dimensões terrenas. E, para que possa o espírito, encarnado ou desencarnado, ajudar-se a receber um auxílio, sempre disponível do nosso Pai-Mãe Maior, é imprescindível o desejo de sair do conflito.

Na busca por um estado de consciência mais equilibrado, livre do sofrimento ou pelo menos amenizado da dor, no “procura e encontrarás”, teremos o acompanhamento das naturais sensações e emoções que evocamos.

Há uma palavra “mágica”, que nos remete desde a cores, luzes, sensações e lembranças, que é a PAZ.  Acalma, tranquiliza, é esperançosa e de difícil tradução verbal, pois que é um “estado de união”, coração e mente equilibrados, como em expansão.

O bem estar da consciência em estado de Paz é inclusivo e contagiante, almejado por todos nós.

Para compreender mais sobre a Paz, compartilho com vocês hoje trechos que selecionei de um texto de Uberto Rohden, extraído de “O Sermão da Montanha”:

 

“Bem-Aventurados os Pacificadores”

 

A palavra latina pacificare, da qual é derivada pacificus, é composta de dois radicais (e o mesmo acontece em grego): pax e facere, isto é, “paz” e “fazer”.

Pacificador (em latim: pacificus) é, pois, aquele que faz a paz, é um “fazedor de paz”, um homem que possui em si a força criadora de estabelecer ou restabelecer um estado ou uma atitude permanente de paz no meio de qualquer campo de batalha.

A tradução “pacíficos”, em vez de “pacificadores”, que se encontra em muitas versões portuguesas, não corresponde ao sentido do original grego “eirenopoíí”, nem ao latim “pacifici”, porque ambos significam um processo ativo e dinâmico, e não apenas um estado passivo de paz.

Quem é, pois, verdadeiro pacificador?

Não é, em primeiro lugar, aquele que restabelece a paz entre pessoas ou grupos litigantes, mas sim aquele que estabelece e estabiliza a paz dentro de si mesmo.

Aliás, ninguém pode ser verdadeiro pacificador de outros se não for pacificador de si mesmo. Só um auto pacificador é que pode ser um alo pacificador.

A pior das discórdias, a mais trágica das guerras é o conflito que o homem traz dentro de si mesmo, o conflito entre o ego físico-mental da sua humana personalidade e o Eu espiritual da sua divina individualidade.

Todos os conflitos externos são filhos de algum conflito interno não devidamente pacificado. Por isso, é absurdo querer abolir as guerras ou revoluções de fora; as discórdias domésticas no lar ou no campo de batalha, enquanto o homem não abolir primeiro o conflito dentro da sua própria pessoa.

O grande tratado de paz tem de ser assinado no foro interno do Eu individual antes de poder ser ratificado no foro externo das relações sociais.

Nunca haverá Nações Unidas, nunca haverá sociedade ou família unida enquanto não houver indivíduo unido. Pode, quando muito, haver um precário armistício (que quer dizer “repouso de armas”), mas não uma paz sólida e duradoura enquanto o individuo estiver em guerra consigo mesmo. 

“Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz” — disse o Mestre, em vésperas da sua morte — não a dou assim como o mundo a dá; dou-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós, e seja perfeita a vossa alegria, e ninguém mais vos tire a vossa alegria.

É este o grande tratado de paz, no santuário da alma.

Não é um armistício precário de cuja estabilidade se deva temer a cada momento, mas é uma paz firme e indestrutível, plena de alegria e felicidade, porque alicerçada sobre a verdade, a “verdade libertadora”.

Essa paz segura e duradoura, porém, só pode existir no homem que ultrapassou todos os erros e todas as ilusões do velho ego e se identificou com a verdade do novo Eu, o homem que descobriu em si o Cristo e o fez triunfar sobre sua vida.

Esta bem-aventurança é, pois, a apoteose da auto realização porque o homem que realiza o seu elemento divino, o seu Cristo interno, entra em um mundo de firmeza e paz, que se revela constantemente em forma de alegria e felicidade e se concretiza em benevolência e vontade de servir e de dar.

O homem que encontrou Deus pela experiência mística é, naturalmente, bom e benévolo com todos os homens e com os seres infra-humanos.

A felicidade interna tem a irresistível tendência de transbordar em benevolência externa e em uma vontade de servir e dar espontânea e jubilosamente.

Quando o homem é mau e desabrido com os outros é porque não tem paz interior e sente a necessidade de descarregar o excesso da sua infelicidade — “nervosismo”, na linguagem eufemística de cada dia — em alguém ou em alguma coisa, e os objetos mais próximos servem de para-raios para essa tensão do homem infeliz.

Propriamente, deveria esse homem ser áspero consigo mesmo, o principal culpado; mas, como o egoísmo não lhe permite semelhante sinceridade, são os inocentes ou os menos culpados não raro, até coisas e animais domésticos, alvo dessa irritação do homem intimamente desarmonizado consigo mesmo.

Quando o homem tolera a si mesmo, graças a uma profunda paz de consciência, todas as coisas e pessoas do mundo são toleráveis; mas, quando o homem, de consciência insatisfeita, não se tolera a si mesmo, nada lhe é tolerável.

O remédio não está em mudar os objetos, mas em corrigir o sujeito. Isto, porém, supõe uma sinceridade muito difícil e rara.

A verdadeira paz é um carisma divino, uma graça, uma dádiva de Deus, que é dada a todo homem que se tornar receptivo para receber esse tesouro.

A paz de que fala o divino Mestre e que ele prometeu a seus discípulos não é algo inerte e passivo, como a não-resistência de uma ovelha em face do lobo.

O amor é uma “violência” espiritual, disse Gandhi, que derrota todos aqueles que recorrem à violência material do ódio.

A verdadeira paz é algo essencialmente ativo e dinâmico; uma exuberante plenitude vital, e não uma agonizante vacuidade: é uma jubilosa afirmação, e não uma titubeante negação.

Quem tem firme consciência de possuir a plenitude do ser pode facilmente renunciar à abundância do ter.

Quanto maior é o ser de uma pessoa, menor é o seu desejo de ter; e, como toda a falta de paz nasce do desejo do ter, e ter cada vez mais, é lógico que o homem que reduziu ao mínimo o seu desejo de ter, não tem motivo para perder a paz.

A paz é, pois, um atributo do ser, é algo qualitativo, algo que tem afinidade com o EU SOU do homem.

O homem que tem plena consciência do seu divino EU SOU não tem motivo para brigar ou declarar guerra a alguém por causa dos teres, que desunem os homens profanos. Mesmo que os outros o tratem com injustiça por causa dos teres, o homem espiritual sabe que todo esse mundo quantitativo do ter é pura ilusão: ninguém pode ter algo que ele não é só o nosso ser que é realmente nosso.

Por isso, o homem que chegou ao conhecimento de si mesmo é invulnerável; ninguém pode prejudicá-lo, ninguém pode ofendê-lo, ninguém pode empobrecê-lo, ninguém lhe pode infligir perda de espécie alguma, uma vez que ninguém pode obrigá-lo a perder o que ele é, e aquilo que ele tem não o enriquece nem a sua perda o empobrece.

A paz nasce, portanto, de uma profunda sabedoria, do conhecimento da verdade sobre si mesmo. Quem conhece essa verdade é livre de todo o ódio, tristeza, rancor, senso de perda e frustração.

Uma pessoa profundamente harmonizada em si mesma irradia harmonia ao redor de si e satura dessa imponderável e benéfica radiação, todas as coisas.

As suas auras benéficas envolvem tudo em um halo de serenidade e bem-estar, de fascinante leveza e luminosidade, que atuam, imperceptível, porém, seguramente, sobre outras pessoas receptivas.

O homem que estabeleceu a paz de Deus em sua alma é um poderoso fator para restabelecer a paz em outros indivíduos, e, através destes, na sociedade.

O filósofo místico norte-americano Émerson disse, certa vez, a um homem que falava muito em paz, mas não possuía paz dentro de si: “Não posso ouvir o que dizes, porque aquilo que és troveja muito alto.”

Quem não é pacificado dentro de si mesmo, não pode ser pacificador fora de si.”

 

Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

04-07-2012

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