CRÔNICAS ESPÍRITAS – 5
Na Crônica Espírita de hoje continuamos o relato da semana passada, em que um sultão buscava, a todo custo, manter o seu poder, na crença de que fazia tudo por amor.
Continuando numa instituição de acolhimento e orientação, temos uma conversa em que o aprendizado é mútuo sobre o tema religião e nossa relação com ela.
Imperdível.

CRÔNICAS ESPÍRITAS – 5
Agradeço aos Mestres Amigos o aprendizado neste trabalho, nas visitas supervisionadas e principalmente na paciência que tiveram em esclarecer muitos dos questionamentos que surgiram.
Neste exemplo de Egoísmo, chama a atenção como o Espírito coloca a palavra Amor, no sentido real para ele desconhecido, como um chamariz ou apelo para justificar sua perseguição bem evidente no primeiro contato. Na maioria dos encontros na instituição onde esteve internado esta palavra era muito rara.
Numa determinada noite, ao cumprimentá-lo, estava novamente muito agressivo, porém menos verborreico: - Você demorou muito de trazer uma resposta ou uma contraproposta.
Ele me observou e intuiu que não seria como ele queria. Disse-lhe que as negociações estavam seguindo seu curso e que as pessoas que o acompanhavam, seus guardas e suas esposas, tinham o direito de escolher. Algumas delas estavam em tratamento de saúde.
Algo surpreso, me perguntou com que direito fazíamos aquilo com ele, pois, afinal de contas, ele queria apenas o que lhe pertencia, e seus atos tinham o respaldo das leis.
Disse-lhe que as leis humanas ainda são falhas, e estão em processo de evolução, acompanhando o desenvolvimento moral do povo que as criou. O que foi permitido há muito tempo, já não o é hoje, e que as leis da consciência estão gravadas no nosso íntimo.
Respondeu impetuosamente: - Minha consciência está limpa, não estou infringindo nenhuma lei, quero cumprir o que foi determinado. E agora?
Silenciosamente pedi inspiração aos Mestres da Luz.
Senti que ele queria travar uma batalha verbal. Emiti vibrações pacificadoras e lhe disse que não iria questionar com ele sobre esse tema, nem que tinha todas as respostas, mas que estávamos todos numa obra do bem, na construção de consciências mais amorosas e sob a orientação do Mestre Jesus.
Perguntou-me se queria falar D’ Ele mesmo, pois em Seu nome tiveram guerras, escravos, templos cheios de ouro e muito mais.
Um Amigo Espiritual ficou ao meu lado, praticamente ditando minhas palavras, e embora ele percebesse uma presença ao meu lado, não podia enxergá-lo, mas disse: - Eu sei que tem alguém aí com você, eu sei. Você precisa de ajuda porque não tem argumentos?
Respondi-lhe que sim, reconhecendo que precisava de muita ajuda e orientação ainda. Não tinha vergonha disso, e estava agradecida a boa vontade dos Amigos, verdadeiros Anjos do Senhor, que nos orientam na Terra.
Ele disse: - Ah, lá vem com essa conversa. Não existem deuses, nem Anjos, nem demônios, e sim Espíritos poderosos. Eu já fui mais poderoso e vou recuperar meu exército.
Falei-lhe que deveria ter sido educado sob as leis da religião islâmica, e que o Alcorão tem leis, admite e respeita a Deus.
O sultão continuou: - Essa conversa de religião novamente não vai dar em nada. O que me interessa no Alcorão eu sigo, muitas das leis me são úteis, o que não me é útil não preciso seguir. É um livro como sua Bíblia. Os antigos foram espertos ao criaram as religiões, é um método muito hábil de controlar as pessoas. Meu pai orava nos momentos certos, às vezes parecia que tinha alguma fé, ou melhor, medo. Recitava para que todos o vissem, e aprendi com ele. Fazia de tudo para manter-se no poder. Cresci entre as tramas, a dissimulação e a perfídia, e sobrevivi até hoje. Aperfeiçoei-me e não tenho medo de nada nem de ninguém, nem de Deus nem do diabo, não existem. Só confio em mim mesmo.
Você não acredita num Criador, uma fonte de vida universal, pois alguém criou a Terra, as estelas e o sol?
- Sim, criou tudo e pronto, acabou seu trabalho, nem sei se existe mais. Daí cada um segue o seu destino. O que eu não herdei, como meu direito ao trono de sultão, eu conquistei com minhas habilidades, meu poder, minha inteligência e minha força. Aproveitei as oportunidades, como a de apressar meu direito ao trono e destruí a todos os herdeiros que me antecediam para tomar o que me era devido.
Você não pode me julgar, e não dizem que errar é humano? Então sou muito humano, o maior de todos. Disse, num riso sarcástico.
Mudei o tema e lhe perguntei da sua mãe, pois só referiu-se do pai.
- Porque falar dela se pouco lembro, senão do que meu pai falou, que ela morreu pouco depois do meu nascimento? Acho que sonhei com ela, mas não quero falar disto. Basta!
Houve um intervalo mais longo e na última visita estava bastante modificado, com um aspecto doentio, havia uma inquietação estranha na sua psicosfera. Sentia claramente fragilizado.
- Seus companheiros me disseram muitas coisas. Perdi minhas forças aqui. Falaram em renascimento, em outros mundos. Muitas coisas. Vou confessar que tenho certo receio. Receio e não medo, viu! Receio é para os inteligentes construírem uma estratégia.
Percebeu que começava uma nova era para ele e temia por seu futuro. A lógica distorcida, os recursos dialéticos e sofismas não o ajudavam.
Não havia mais a certeza de que controlava a sua “vida”, nem a de outras pessoas, sentindo os valores da consciência mais profunda aflorarem.
Prosseguiremos na próxima semana.
“A aquisição da consciência é um processo lento e profundo, porque se encontra em germe no próprio “ser”, como a pérola preciosa na concha escura no molusco...”
Joanna de Angelis
Muita PAZ para todos nós.
Francesca Freitas
01-12-2014
