DIANTE DO OUTRO

26/11/2012 15:52

 

Esta semana, no Momento de Luz, Gregório nos coloca diante do outro e nos convida a construir relações harmônicas, baseadas no respeito, na amorosidade e no auxilio mútuo.

Propõe o olhar e a escuta cuidadosa, atenta a especificidade de cada ser, sem avaliações pré-concebidas, sem curiosidade com propósitos não edificantes, sem julgamentos. Apenas o acolher, o auxiliar. Mesmo que o outro, ainda não desperto, ainda esteja incapaz de absorver tais atitudes.

Para estes casos, ressalta o poder da oração, da transmissão de energias positivas que chegam aonde ainda não podemos alcançar, promovendo o auxilio que desejamos oferecer.

Convoca-nos a sermos obreiros do amor, verdadeiros mensageiros do que chama “o remédio que previne e cura”, à medida que amplia nossa visão e audição, nossa compreensão e nosso respeito diante de nós mesmos e do outro.

Boa reflexão.

Andréa

 

 

DIANTE DO OUTRO

 

Certa manhã, deparei-me como uma cena não esperada por aqui. Um casal discutia, em pleno prumo do dia, sol a pino, calor refrescado pela brisa macia que acariciava de leve nossos corpos, para que os raios solares não nos queimassem com todo seu potencial.

Como veem, a temperatura do ambiente estava agradável. Do ambiente, porque a temperatura interna do casal estava fumegante e respingava em quem passava, convidando-nos a observação.

Observação de um escritor, é claro, pois, aqui, não se encontram fofoqueiros de plantão a investigar a vida alheia. Quem passava e os via a brigar, emanavam vibrações positivas para que tudo se resolvesse.

Imaginem algo assim, aí na terra! Pessoas ao avistarem discussões, violência, acidentes, reunissem em oração a pedir auxílio ao Pai para aquele desconhecido, que no momento demandava simplesmente de amor.

Sim. O amor! Remédio para as feridas e dores instaladas, resultantes dos males do egoísmo, do desrespeito, da intolerância, dos desejos materiais excessivos, da falta de comunicação.

Prevenção aos atritos verbais e físicos, porque aproxima os opostos, facilita o diálogo e promove a compreensão. Deveria ser encontrado facilmente, em quantidade suficiente, em todos os corações humanos, porém, em desuso, esquecido na profundeza do ser, perde-se e precisa ser buscado e encontrado.

Desta forma, o acesso rápido fica dificultado para aqueles que se desacostumaram, ou até mesmo, ainda, não aprenderam a utilizá-lo. Então, entrariam os obreiros do amor, que desempenhariam o papel de incentivar e acelerar a busca e o reencontro com o amor interno.

Quando a fonte interna é localizada, o processo de reencontro, pouco a pouco, vai se esclarecendo, se indicando, se fazendo e refazendo. Clareiam-se caminhos, estabelecem-se prioridades, enxerga-se o outro.

Pela primeira vez, diante do outro, reconhecendo-o como indivíduo. Diferente, ao mesmo tempo em que é igual a mim, com a sua individualidade, sua história, seus anseios, medos, potencialidades e dificuldades e sua relação comigo, sua importância na minha história, na minha individualidade, nos meus anseios, medos, potencialidades e dificuldades.

Ao perceber o refletir do outro em mim e de mim no outro, com a presença do amor, as relações interpessoais são modificadas, reorganizadas, tornando-se mais harmônicas. A interação das fontes internas e externas promovem relações amorosas, compreensivas, respeitosas, de ajuda mutua.

Pois bem, diante da discussão que se pronunciava, fiquei a observar e a refletir. Faz-se uma e outra em proporções diferentes por aqui. A percepção é muito mais abrangente.

Foi possível visualizar as energias deletérias que os circundavam e a energia positiva que os alcançavam a partir das orações dos muitos espíritos que foram atraídos para auxiliá-los. Achei interessante que, apesar do acúmulo de pessoas ao redor, ninguém se intrometia, apenas oravam. Não seria mais fácil impedi-los? Pensei.

Samuel veio ao meu encontro com a resposta. Ao leve toque de sua mão em meu peito, captei o que ocorria, como se fosse tele transportado para o centro da discussão, onde ouvi e vi momentos da história daqueles dois espíritos que eram muito caros um para o outro.

Chegaram há pouco tempo, um após o outro. A esposa veio primeiro e, com o jeitinho feminino, mexeu todos os pauzinhos para trazer o companheiro para o seu lado.

Na verdade não foi tão fácil assim. Vislumbrei muita dor e sofrimento. Anos perdidos juntos e depois separados. Haviam desencarnado num acidente de carro. Voltavam de uma festa, bêbados, enciumados, iniciaram uma discussão que terminou no acidente fatal.

Ficaram presos às ferragens por longas horas e anos. Horas como encarnados, não suportando aos ferimentos e desencarnando. Anos como desencarnados, insatisfeitos com o destino que eles mesmos traçaram.

Soube depois que eram prometidos desde a tenra idade. Nasceram, literalmente, um para o outro. O amor sempre existiu, porém, era constantemente adormecido, por desejos e prazeres materiais.

Desde modo eram sempre surpreendidos pelo ciúme, raiva, desrespeito, intolerância, violência. Buscavam-se e repeliam-se por infinitas vezes, tornando a vida carnal num martírio desnecessário, uma vez que vieram juntos para auxílio mutuo, para aprendizado do puro amor. Mas só escolhiam a tormenta. O que fazer?

Quando, há mais ou menos um ano, a esposa foi resgatada, ela ficava a chamá-lo sem parar. Entre pesadelos e vigília, só tinha um pensamento: reencontrá-lo. Ele, ao seu tempo, também despertou, solicitou auxílio e foi resgatado. E, do mesmo modo, vivia a chamá-la.

Então, os amigos de luz acharam por bem reuni-los para que, juntos, se desenvolvessem em terras distantes. O primeiro encontro foi minutos de luz e alegria, retornando de imediato aos conflitos. Quando separado, se buscavam. Quando juntos, se repeliam.

Recebiam todo tipo de ensinamento, mas continuavam a brigar. Era comum ver cenas como a que descrevi no começo. Não havia visualizado antes porque estava ocupado comigo, com minhas lições, com meu crescimento. Já não perambulava como antes, a observar, refletir, escrever.

Passava horas a estudar, no quarto, na biblioteca, no grupo de estudo. Nas outras horas do dia, estava a praticar o que aprendi nos diálogos, nos estudos de caso, aguardando, ansioso, a próxima viagem a terra.

Diante do absorvido, compreendi a estratégia dos espíritos amigos. Esperavam que eles escolhessem o caminho da concórdia, por isso, ninguém os impedia, simplesmente os incentivavam.

Passou-se um longo período e a cada dia era possível vê-los brigando menos e conversando mais. Até que, um dia, os vi a caminharem sozinhos, mãos dadas, corações interligados.

Não resisti e os segui. Iam calados, vez por outra se olhavam, sorriam, trocavam afetos, gestos de carinho. Pensei. Será que ficaram mudos?

Até ouvi-los sussurrar declarações de amor. Nesta época já havia potencializado minha audição. Fato que me deixava feliz, porém desconcertado, visto que nem sempre conseguia controlá-la. Não por vontade, mas por falta de habilidade com o novo instrumento.

As coisas por aqui também se dão com calma, com aprendizado, através de erros e acertos. E assim, aqui como aí, se desenvolve potencialidades e superam-se dificuldades. Simples e trabalhoso. Complexo e prazeroso. E quando, finalmente, alcança-se um objetivo, logo se achega outro e é preciso recomeçar de novo.

Lições aprendidas, convido-os a, assim como eu, ficar atento as especificidades de cada ser, de cada situação, compreendendo, respeitando, auxiliando, às vezes, simplesmente, com um olhar e/ou sorriso de aceitação.  E ao emanar energias salutares é possível fazer mais que uma ação direta de intervenção.

Deixo-os para em breve voltar.

Abraço afetuoso, Gregório.

25.11.12 

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